sexta-feira, 25 de março de 2016

Autonomização do CCV - Frase 6


LCV
E da un sakada
MLP
Ele  da(r) um ( origem desconhecida)
CSP
Partiu-se em alta velocidade
                                        CCV: Crioulo Caboverdiano; LCV: Língua Caboverdiana; MLP: Material Linguístico em Português; CSP: Correspondência                                          Semântica em Português

A palavra «sakada» será uma recriação local, terá origem numa expressão arcaica do português ou terá vindo de uma das línguas que estiveram na génese da LCV? Lang 2002 admite que a sua origem poderá estar ligada à palavra portuguesa “sacada” (o que um saco pode conter). Porém, a nível semântico, “un sakada” não tem nada a ver com “uma sacada”.  A meu ver, parece tratar-se de uma recriação local, embora não tenha elementos para a comprovar. 

A expressão "e da un sakada" pode ter dois sentidos: a) partir em alta velocidade; b) dar um safanão.

 Note-se ainda  que o termo reaparece em expressões como «e sa ta da sakada», significando «está com fortes tremuras ou convulsões».










segunda-feira, 21 de março de 2016

Os Vencedores e os Ganhadores do Pleito Eleitoral de 20/03/16


 O Dr. Ulisses Correia e Silva e o Movimento para a Democracia (MpD) foram os grandes vencedores do pleito eleitoral de ontem (20/03/16). Devo, com sinceridade, felicitar os vencedores e pedir-lhes que saibam honrar os compromissos assumidos, com ações e realizações concretas; que saibam fazer o “upgrading" do legado económico, social e cultural que receberam do governo do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), com inclusão, sem ódio, sem vingança, sem partidarismo, sem discriminação e com respeito pela Constituição e pelos direitos fundamentais de todos os cidadãos, qualquer que seja a sua cor política. Se assim o fizerem, na hora de balanço, teremos a oportunidade de dizer que, efetivamente, trouxeram  “soluções” para os problemas de Cabo Verde.

Por entre os ganhadores encontramos, em primeiro lugar, o povo de Cabo Verde que, mais uma vez, deu exemplo ao mundo da sua maturidade democrática, sem, na hora do reconhecimento dos resultados, apontar o dedo nem à fraude, nem a outros ilícitos eleitorais.

Um outro ganhador é o PAICV que descobriu na pessoa de Janira Hpffer Almada uma líder com carisma, com determinação, com capacidade inteletual e conhecimento dos problemas do País, com energia e vontade de lutar, de vencer e de levar Cabo Verde e o seu povo a patamares mais elevados de desenvolvimento económico e de inclusão social. Para a Janira, isto também é um ganho e todos nós que pertencemos, com orgulho, ao sistema PAICV, é motivo de muita satisfação, mesmo na hora de uma batalha perdida.

Quem também mostrou que ganhou mais experiência, mais eficiência e eficácia, é o NOSI e a RTC. Podendo eu estar “na Terra longe” e seguir, como se estivesse em Cabo Verde, todo o processo eleitoral e a divulgação dos resultados com uma celeridade fantástica, é obra. Como cidadão, senti-me orgulhoso do meu povo. Ao NOSI e à RTC as minhas vivas felicitações.

Finalmente, um outro grande ganhador, dos 15 anos de governação, é o Dr. José-Maria Neves. Meu caro JMN: o senhor, hoje, é uma referência incontornável do nosso Povo. Fez com que, juntamente com a sua equipa e todos nós, Cabo Verde, de um País Menos Avançado, se alcandorasse a País de Desenvolvimento Médio, com as suas instituições a funcionar, com a infraestruturação em estradas, pontes, barragens, aeroportos, túneis, liceus, universidades, centros de saúde, hospitais, “casas para todos”, uma comunicação social cada vez mais livre e mais autónoma, um rendimento per capita cada vez mais elevado, uma esperança de vida das maiores em África,  uma paridade do género na governação, das mais elevadas no mundo, um sistema de boa governação elogiado pelos nossos parceiros, "com mais pão, mais água, mais luz, mais vez, mais palavra", mais educação, mais cultura, mais saúde, mais democracia, mais comunicação, mais TIC, mais inclusão, mais ambição de desenvolvimento, de inovação e de transformação.

Tudo isto é obra, particularmente numa terra sem recursos naturais. O senhor entrou na galeria das grandes figuras de Cabo Verde e permanecerá como referência e como um dos grandes “ativos” do PAICV e do nosso Povo. Obrigado por tudo o que fez, abnegadamente, por Cabo Verde, com muitas horas de sono perdidas, com muitos fios de cabelo branco, com muita inteligência prática, com muita visão, inovação e imaginação. Que o futuro lhe reserve as maiores venturas.

Não queria terminar este post sem felicitar os outros partidos políticos concorrentes às eleições que, com a sua participação, deram mais brilho ao sistema democrático caboverdiano.

Viva Cabo Verde, Viva o Povo Caboverdiano, Viva a Democracia!

sexta-feira, 18 de março de 2016

Autonomização da LCV, Frase 5

Em tempos de campanha, este e outros post, da mesma índole, é um convite para a entrada da nossa língua materna na agenda de transformação.

F5, p.9

LCV
E    da  rinkada     pa     djuntu-l    pórta
MLP
Ele da(r) arrancada para  junto da porta
CSP
Dirgiu-se                para  junto da porta

(LCV: Língua Caboverdiana; MLP: Mateial Linguístico em Português; CSP: Corespondência Semântica em Português)

Vê-se, claramente, que «dirigiu-se para» é mais simples que «e  da rinkada pa». Enquanto em Pt o sujeito é nulo, em LCV ele vem expresso. Verifica-se, ainda, a transformação  de «junto da porta» para «djuntu-l pórta». Aqui há uma simplificação enriquecedora. Note-se que «e da rinkada ta bai»  significa: começou a andar».

O «-l» com o sentido de «de, da, do» é, sem dúvida, uma riqueza e uma particularidade da LCV. Terá origem  em «lo, la» do Pt? É uma hipótese.  Ver, por exemplo, a expressão «julgá-lo ou julgá-la» que, em LCV, se traduz por «julga-l». Poderá ser ainda representar uma simplificação de «lo» e de «lhe». Com efeito, «fazer-lhe, dizer-lhe» se traduz em LCV por «fase-l, fla-l».
Há que ter em conta que em "julga-l" e em "fal-l", o "-l" poderá ter vindo  "ele" e de "lhe": julgar ele, falar-lhe. 

Há que ter em conta que em "julga-l" e em "fal-l", o "-l" poderá ter vindo  "ele" e de "lhe": julgar ele, falar-lhe.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Autonomização da LCV, frase 4

F4, p.20
LCV
Ka                  -u                      fla-m      nau
MLP
Negação OA tu                     falar-me nãu
CSP
Não me digas       não

Verifica-se a presença obrigatória do sujeito pronominal em LCV, o «ka[1]» poderá ter vindo de «nunca», do mankañ “nko”e do mandinga ”ke” (ambos com sentido de negação); o «fla» que vem de «falar», mas com o sentido de «dizer». A autonomização em LCV é uma evidência. Apenas pelo material linguístico, a frase seria inaceitável



[1] Na evolução linguística, normalmente a sílaba átona que cai. Verificamos que em “nunca”a sílaba átona permanece e cai a tónica. Segundo Rosine Santos, 2000, a negação em mankañ é “nko”, e em mandinga é “ke”; Para Lang 2009:129,  ele terá também origem no  «ka» de negação manjaku. Segundo Lopes 1957 e 1984: 150, o «ka»,  vem de «nunca».  Para Baptista  2006:97, a negação “nunca pode ter origem tanto no “nunca português, no “ko mankañ, no “buka do mandinka, no “kë”balanta.
A nosso ver, é mais provável que que o “ka”do LCV tenha origem, sobretudo, nas expressões africanas, acima referidas, mas não se pode excluir o “nunca” português, também.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Autonomização da Língua Caboverdiana 5

F3, p. 20
LCV
Unde-u          Rejina?
MLP
Onde  tu           Regina?
CSP
Onde       estás Regina?
              (LCV - Língua Caboverdiana; MLP - Material Linguístico Português; CSP - Correspondência semântica em Português)


A primeira constatação, é o predicado verbal nulo em LCV. A outra constatação é a colocação do sujeito explícito depois do advérbio. Uma outra realização aceitável seria: «Rejina, undi bu sta?», ou então «undi bu sta Rejina?»,  equivalente a «Regina, onde estás?» ; ou, então, «onde estás tu, Regina?».  A realização «Unde-u» parece uma frase simplificada na forma, mas complexa no seu universo semântico, na medida em que comporta um predicado virtual (visivelmente nulo), que não se vê, mas que existe. E isto é típico do CCV. É  caso para dizer que se trata de uma simplificação enriquecedora.