sábado, 10 de março de 2012


Mensagem  por ocasião do Encerramento da Conferência Internacional «Cidade Velha: O Futuro do Passado»

Vai cair o pano da conferência internacional sobre «Cidade Velha: O Futuro do Passado». O pano cai, mas o palco vai ficar aberto e sempre disponível para acolher e para dar corpo às diversas cenas que vão acontecer, de mil maneiras, sobre a história, mas também sobre o futuro da história.

Vamos enumerar algumas dessas cenas ou, se quiserem, algumas das acções que ganharam ou que vão ganhar forma e conteúdo no palco da Cidade, mas também nas azáguas do Arquipélago. Falarei de dez pontos, como se fossem as nossas dez Ilhas, dez Esperanças, dez Certezas:

1.      Cremos que com esta Conferência o Grupo que está a preparar a candidatura da Cidade Velha a Património da Humanidade vai absorver importantes subsídios para o enriquecimento e optimização do dossier em preparação;

2.      Os conferencistas nacionais e estrangeiros ficaram com uma maior e melhor visão da importância histórica, cultural, patrimonial, social e civilizacional da Cidade Velha, o que, sem dúvida, vai constituir um importante capital para o «plaidoyer» nacional e internacional a favor do reconhecimento mundial pretendido. Com efeito, se antes desta conferência sabíamos que a Cidade Velha foi um palco importante da criação e recriação do Mundo Atlântico, hoje a nossa certeza ficou reforçada, ficou consolidada.                  

3.       As valiosas contribuições de conferencistas de várias latitudes e de diversos ramos do saber cultural, histórico e patrimonial são uma garantia para a mobilização e congregação da vontade internacional à volta da candidatura da Cidade Velha, à volta do reconhecimento mundial desse Sítio Histórico como Património da Humanidade.

4.      Com esta Conferência, a caboverdianidade que é o ouro e o diamante destas ilhas do atlântico, ficou a brilhar com mais intensidade na galáxia do humanismo sem fronteiras, na constelação das grandes culturas que a humanidade esculpiu, modelou e partilhou.

5.      Uma nova era vai começar para a Cidade Velha. Uma era de maior partilha e de maior comunhão da sua história, do seu passado, do seu presente, do seu futuro.

6.      Os principais parceiros da Cidade Velha, a Espanha e Portugal, têm a obrigação moral de continuar e de aumentar a sementeira para que a colheita nas próximas azáguas possa ser do tamanho do nosso sonho, da grandeza da nossa história e da têmpera do nosso humanismo.

7.      Mas o clube de amigos da Cidade Velha não pode reduzir-se a Portugal e à Espanha. Queremos que os ingleses nos provem que o corsário Francis Drake se converteu num investidor de primeira linha, para a Cidade Velha. Queremos que os franceses nos convençam que o Jean Cassart que ontem dirigiu o saque da Cidade Velha, hoje decidiu regressar como turista, como investidor, como diplomata respeitador que facilita o diálogo e as relações de amizade e de cooperação entre os nossos dois países. Queremos que os países da Europa, das Américas do Norte e do Sul organizem o retorno para Cabo Verde, não da mão de obra escrava ou diasporizada que receberam da Cidade Velha e de Cabo Verde, desde o longínquo século XV, mas sim a mais valia cultural e tecnológica, bem como a qualidade de vida que o tráfico negreiro e a diáspora caboverdiana potenciaram no capital humano das respectivas sociedades.

8.      Do mundo inteiro, Cidade Velha e Cabo Verde esperam: o reconhecimento do humanismo que estas ilhas esculpiram, a partir de fragmentos, de recuperação e de reconfiguração de outros humanismo; esperam ainda a partilha do saber, do conhecimento, da técnica, da ética e da estética de viver na inclusão e no respeito pela diferença e pela diversidade.

9.      Cidade Velha agradece, Cabo Verde enaltece as sementes da cultura e de história lançadas no vale da Ribeira, nos montes e achadas dessas ilhas, nas várzeas e fajãs do Arquipélago, sementes essas que germinaram e deram espigas, espigas que queremos partilhar e dividir com o Mundo.

10.   Em nome do Governo, em nome da Cidade Velha, em nome do povo caboverdiano ficam aqui o nosso compromisso de continuar a defender e a preservar a nossa história; de esculpir e de modelar o futuro da Cidade Velha e de Cabo Verde, sem hipotecar a cultura, sem destruir a memória; sem comprometer o amanhã. Saberemos, pois, gerir com inteligência e com sabedoria os conflitos, os interesses, os sonhos, a tradição, a modernidade, a qualidade de vida, a sanidade social e ambiental. E para que isso aconteça, queremos ter o Mundo ao nosso lado. É por tudo isto que a candidatura deve ser sucesso, tem que ser um sucesso.

A todos, muito obrigado.

Outubro de 2007

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