quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Onde Nasceu o Crioulo de Cabo Verde?


A César o que é de César…
 
A história faz-se com factos e não com impressões, sejam elas nossas ou alheias. Num texto datado de Janeiro de 2016, publicado num blogue da Academia de Ciências Políticas para a Guiné-Bissau, e veiculado no facebook, em Janeiro de 2018, o senhor Livonildo Francisco MENDES afirma: “…todos os dados indicam que foram os escravos guineenses que deram origem à actual população de Cabo Verde e, por consequência, ao crioulo que hoje é uma das línguas oficiais do arquipélago…”.
Mais: no mesmo texto reafirma que: “… na Guiné-Bissau a língua crioula resulta de contactos políticos e comerciais entre os portugueses e os povos do Golfo da Guiné (principalmente os Mandingas e os Fulas) desde a época do Grande-Império Mali, no século XIII”.
É ainda estranha a firmação segundo a qual a “…língua crioula é a que serve de veículo comum entre falantes de dialetos diferentes”.
Espero que algum historiador caboverdiano e/ou guineense, com base em factos, venham repor a verdade histórica da origem dos crioulos falados em Cabo Verde e na Guiné-Bissau.
Eu, como caboverdiano, formado em linguística, com algum conhecimento sobre a história do meu povo, senti-me desafiado a dizer o que penso, escudado em argumentos do historiador António Carreira e em informações de linguistas como Baltasar Lopes, Robert Chaudenson, Jürgen Lang, Jean-Louis Rougé.
Desconheço qualquer fonte histórica que coloca a presença de portugueses no Golfo da Guiné, já desde o século XIII, como estranhamente, afirma o senhor Mendes.
Segundo Carreira (1982:15), o descobridor Nuno Tristão terá chegado a Guiné-Bissau em 1446. Porém, face à insegurança e à hostilidade dos régulos, as feitorias funcionavam a bordo de barcos e somente a partir do século XVII surgem as primeiras feitorias de Ziguinchor, Farim, Geba, Fá e Bissau (cf. p. 18).
Ora, se a descoberta da Guiné-Bissau data de 1446, se as feitorias, em terra firme, datam da segunda metade do século XVII, se o crioulo resulta do encontro entre o português e as línguas étnicas da Costa Ocidental africana, como será possível a sua formação já desde o século XIII, como afirma o senhor Mendes?
Acontece que no século XVII, altura da fixação de feitorias portuguesas na Guiné-Bissau, o crioulo de Cabo Verde já contava com cerca de um século de existência. E isto se tivermos em conta que, segundo o historiador António Carreira (1982: 53), “… a menos de cem anos do achamento existiam em Santiago escravos da estirpe Jalofa que se entendiam (necessariamente por um pidgin ou um protocrioulo) com os europeus, e que eram utilizados como intérpretes junto dos povos do continente”.
Ora, se a descoberta de Cabo Verde aconteceu em 1460, isto significa que em 1560 já existia, em Cabo Verde um protocrioulo. Estamos ainda longe do século XVII, altura do estabelecimento de feitorias na Guiné-Bissau, em terra firme. Isto significa que, historicamente falando, o crioulo de Cabo Verde antecede o da Guiné-Bissau.
Assim sendo, resulta insustentável a afirmação do senhor Mendes, segundo a qual seriam os escravos guineenses que deram origem ao povo e ao crioulo de Cabo Verde.
Aliás, é o próprio Carreira (1982:33) que categoricamente afirma “…o crioulo de Cabo Verde começou a ser usado, timidamente, nos ‘rios’ pelos Lançados ou Tangomaos oriundos das ilhas de Cabo Verde no período da formação das Praças e Presídios” que, como vimos atras, data da segunda metade do século XVII, na Guiné-Bissau. Mais à frente, citando Baltasar Lopes, Careira (1982:33) afirma: “Suponho que o crioulo falado na Guiné é, não o contacto do indígena com o português, mas sim o crioulo caboverdiano de Sotavento levado pelos colonos idos do arquipélago…”.
De acordo com o senhor Mendes, o crioulo terá provindo, principalmente do contacto com os Mandingas e os Fulas. Ora acontece que, enquanto o linguista francês Jean-Louis Rougé (2006) destaca a origem mandiga do crioulo, o linguista alemão Jürgen Lang (2006, 2009) apresenta vários aspetos morfológicos, sintáticos e semânticos que provam a grande influência, também, do wolof no crioulo de Cabo Verde.
Segundo o linguista francês Robert Chaudenson (1992:37), especialista do crioulo da Reunião, a origem dos crioulos atlânticos e do Oceano Índico, tem por base três unidades: a do tempo, a do espaço e a da ação.
Relativamente ao tempo, são línguas muito recentes (séculos 15, 16 e 17 para o de Cabo Verde. Século 17 para os das Antilhas e os do Oceano Índico). Quanto a unidade do espaço, a quase totalidade se formou nas ilhas. Quanto à unidade de ação, surgiram em contexto de dominação (escravatura e colonização), onde o dominador e os dominados não se entendiam, por possuirem códigos linguísticos diferentes. Ora, a necessidade urgente e premente de comunicação exigiu a formação de um novo código linguístico a partir da língua do dominador e das dos dominados. Nessas circunstâncias (caracterizadas por uma situação limite de comunicação) costuma, em pouco tempo, nascer uma língua miscigenada, resultante do encontro do léxico da língua do dominar com a gramática das línguas das classes dominadas. O produto dessa recriação por parte sobretudo dos mestiços, descendentes da escrava negra e do dominador branco, e que desconheciem a língua tanto do pai como da mãe, se convencionou chamar “crioulo”, um código simples, de início, e que, a pouco e pouco, se complexifica e se autonomiza.
Acontece que a Guiné-Bissau se situa no continente, as etnias se comunicavam nas respetivas línguas e tudo indica que não poderiam sentir-se em situações limites de comunicação, exigindo a formação de uma nova língua. A comunicação com o comerciante branco que vinha e repartia para o negócio, em barcos-feitoria (pelo menos até ao século XVII), de início, se processava a partir dos “chalonas” (intérpretes) trazidos de Cabo Verde (Carreira,1982:30).
Pode-se perguntar ao senhor Mendes porque será que os escravos guineenses, em vez da imposição das suas línguas étnicas, preferiram impor o seu crioulo, em Cabo Verde? Porque será ainda que, em outras paragens, na América Latina e nas Caraíbas, para onde foram levados, não impuseram o seu crioulo. Porque será que o crioulo se formou em S.Tomé e Príncipe, que são ilhas, e não em Angola e Moçambique onde a situação social e linguística era parecida com a da Guiné-Bissau?
Por tudo isto, a nosso ver, a tese do senhor Mendes carece de sustentabilidade. Por isso, não a sufragamos. Não obstante, nós os caboverdianos somos eternamente gratos a todas as etnias, principalmente a mandinga e a wolof pelas marcas que deixaram na nossa crioulidade, seja a linguística seja a antropológica.
A terminar, reafirmamos que o crioulo de Cabo Verde se formou e se consolidou em Cabo Verde, no horizonte temporal que abrange os séculos XV (início), XVI, XVII, XVIII (consolidação). A partir da aí entrou na fase de autonomização que ainda perdura.
Bibliografia
CHAUDENSON Robert1992. Des Îles, des Hommes, des Langues. Paris, l’Harmattan.
CARREIRA António, 1982. O Crioulo de Cabo Verde – Surto e Expansão. Mem Martins, Portugal. Gráfica EUROPA Lda.
LANG Jürgen, 2006 (org.). “L’Influence des Wolof et du wolof sur la formation du créole santiagais”. In Cabo Verde – Origens da sua Sociedade e do seu Crioulo. Alemanha, Gunter Narr Verlag Tübingen.
Idem, 2009. Les Langues des Autres dans la Créolisation. Alemanha, Gunter Narr Verlag Tübingen.
ROUGÉ Jean-Louis, 2009.“L’Influence Mandingue sur la Formation des Créoles du Cap-Vert et de Guiné-Bissau et Casamance”. In Cabo Verde – Origens da sua Sociedade e do seu Crioulo. Alemanha, Gunter Narr Verlag Tübingen.

 

Manuel Veiga, 6 de Fvereiro de 2018

domingo, 31 de dezembro de 2017

2017: Reconhecimento e Preocupação
                                                                   2018: Compromisso e Sonho

Hoje, 31/12/2017 é o último dia do ano. A nível pessoal, foi uma jornada de trabalho e de muita luz.
Tive o carinho e a compreensão dos que amo, dos que admiro e dos que respeito. Inesperadamente, o atual Governo distingui-me com a medalha de mérito cultural do primeiro grau.

Tenho no prelo, aguardando financiamento, uma obra sobre a Formação da Língua Caboverdiana, a partir das matrizes africana e lusitana.

Após seis meses de intenso trabalho, terminei uma obra romanesca de exaltação ao meu povo, pela resiliência da sua história recente e pela fecundidade do sonho que acalenta. Será dada à estampa logo que for possível.
A nível interior, senti-me mais iluminado. A escrita tem sido a via e o caminho para navegar no real, para descobrir o desconhecido e para encontrar a resposta de muitas interrogações, sempre guiado pelo farol de uma luz interior cada vez mais intensa.

A saúde, na contingência da imanência, não me surpreendeu com nada de inesperado e de repugnante. E se a felicidade é um processo, acredito que neste 2017 dei alguns passos para frente.

A nível local e global, surpreenderam-me, pela negativa, a insegurança, a violência generalizada, o terrorismo, a intolerância, a exclusão, os efeitos negativos do aquecimento global, a onda de refugiados, o desemprego juvenil, a corrupção, o negócio sujo de estupefaciente e de sere humanos…

Para 2018, o meu compromisso e sonho é continuar a procurar mais luz, mais virtudes, mais sabedoria, mais equilíbrio. Para a aldeia global, desejo mais inclusão, mais paz, mais segurança, mais justiça social, mais solidariedade, mais emprego, mais crescimento e desenvolvimento, mais ética e cultura de valores, mais humanismo, mais respeito pelos direitos humanos, mais e melhor cumprimento de deveres, mais e melhor cidadania.

Obrigado a todos os que colocaram a sua pedra para um 2017 mais humano e mais fraterno. A todos desejo um 2018 de mais luz, de mais inclusão e de mais solidariedade.

Manuel Veiga


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Nha Vótu 2018:




Anu Bon, Fésta Nhaku,
Ku Suguransa y Inkluzon,
Ku Saúdi y Sinplisidadi.

Sinplisidadi di vida y na vida é txabi di lus, di pas y armonia
 Nundi ta reina sinplisidadi, ka pode ten egoismu, nen ódio
Nen invéja, remorsu, ô jogu xuxu
 Nen kanbalaxu, fraudi, ô injustisa
Nen violénsia, splorason, angústia, ô skluzon.
 Anton,

Nha dizeju más profundu é:
Filisidadi na sinplisidadi
Pa tudu nhas família,
Pa tudu nhas amigu
Pa tudu nhas patrísiu

Pa tudu ser umanu, nhas armun.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

PÁS Y SUGURANSA


Notísias ba ta txiga foradu, un riba di otu.
Na televizons y na jornais; na rádius y na redis sosial; na reunions y na enkontrus informal, asuntu éra kel-mê: géras, invazons, atentadus, asaltus, robus, asasinatus, tiroteius, pankadaria, tremor di téra, furakons, erupsons vukániku, inundasons, inséndius, grévis, manifestasons…
Na Nasons Unidu, dibati más frekuenti éra sobri rastabilisimentu di pás y di suguransa, na mundu interu.
Enkuntu na paízis subdizenvolvidu prubléma fundamental é luta kóntra fómi, kóntra mizéria, kóntra insalubridadi, kóntra epidemia, kóntra analfabetismu, kóntra korupson y abuzu di puder…, na paízis dizenvolvidu ajénda éra otu: akizison y komersializason di material béliku; invistimentu na indústria di géra; spionájen di segredus militris y ikunómikus di paízis adiversáriu ô konkorentis; splorason di matérias prima y di rakursus umanu di paízis subdizenvolvidus ô ki sta na via di dizenvolvimentu…
Konsekuénsia di tudu kel-la: pániku jeneraliza; teror multiplika; medu spadja; suguransa frajiliza; pás y soségu bira kada bês más skasu, kada bês más nikilétu.

Kusas meste muda. Ali Ben ténpu, preokupadu ku situason di inseguransa jeneralizadu, el komesa ta viaja na ténpu y na azas di si pensamentu, y mudansa komesa ta ten.

Na mar di kanal: tudu “thugs” y kriminozus entra na séntrus di rakuperason undi es prende ruspeta propriedadi privadu y kultiva virtudis di umanismu. Kadeias transforma na ofisinas di formason profisional, di kriatividadi y di produtividadi. Óndas di diportason di Mérka kaba pamodi krimi y nunbru di indukumentadus raduzi, kuazi na nada. Enprendedorismu transforma na un bandera y enpregu omenta sponensialmenti. Idukason pa sidadania y pa dizenvolvimentu transforma na un dizígniu nasional pa famílias, puderis públiku, instituisons di ensinu, asosiasons, igrejas, partidus pulítiku y grupus profisional. Kultura di étika, di umanismu, di deontolojia profisional y vivensial transforma na un prugrama di vida. Pás y sugurança komesa ta reina na família, na skóla, na trabadju, na lazer, na konvívius, na paseius, na féstas, na kanpanhas y pleitus eleitoral, na vida y na labuta di tudu dia.
Na aldeia global: invistimentu na indústria di géra transforma na invistimentu pa dizenvolvimentu; spionájen konverte na partilha di konhisimentu y di spiriénsia; splorason individu di matéria-prima, na téra di otu algen, bira program di koperason y solidariedadi; korupson dizaparse y kultura di valoris y di étika fortifika; distribuison di rikéza pasa ta dipende di méritu, di trabadju y di invistimentu na konhisimentu; kultura di maskadjon pasa pa kultura di meresimentu; distribuison di rikéza bira más ekuitativu, más justu, más umanu, más solidáriu; violénsia kaba, pás y soségu fortifika y anplifika, na tudu lar, na tudu enprendimentu, na tudu lokal di trabadju, na tudu fórma di vive y di izisti; dizenvolvimentu umaniza, konportamentu moraliza, pás, soségu y trankuilidadi universaliza, amor y felisidadi planetariza…
Ta pensa manenti-manenti, Ali Ben Ténpu kaba pa fase un dizabafu, kel mesmu ki autor di romansi Odju d’Agu faseba dianti di si povu:
“Y si N podeba…/ Rabida téra pa diparbésa/ Transforma kurason di ómi/ Trabadja onestamenti/ Ama nha armun/ Konkista liberdadi/ Mundu ta sérba otu/ Justisa ta renaba sénpri.//
Y si N podeba…? Viaja pa mundu/ Dinúsia demagogus/ Liberta oprimidus/ Kaba ku tiranus/ Seta nasionalidadis/ Símia fratrnidadi/ Mundu ta dimira-m/ N ta sérba ravolusionáriu.//
Y si N podeba…/ Ser sima mi é/ Ruspeta diferénsa/ Valoriza nha perténsa/ Da y rasebe/ Trabadja pa pugrésu/ Pratika unidadi/ Omenta dignidadi/ Nha povu ta ruspeta-m/ Y ta kunpriba nha dever”.
Es dizabafu é di ken ki krê odja kusas ta muda. Kenha ki konprende si alkansi, ka ta spanta, tanbe, ku vizons profétiku di Ali BenTénpu.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A SIMPLICIDADE


O poeta Jorge Barosa escreveu um dia:


“Eu queria ser simples naturalmente/ sem o propósito de ser simples.// Saberia assim sofrer com mais calma/ e rir com mais graça./ Saberia amar sem precipitações.//Meus sonhos não meteriam esses rumos impossíveis/ de terras mais além.// Bastar-me-ia a curta travessia no mar de cana/ num dos nossos minúsculos veleiros/ para ir conhecer a ilha defronte”.
Há falta de simplicidade quando: forçosamente, queremos ser aquilo que não somos ou que não podemos ser; ingloriamente, odiamos, invejamos ou cobiçamos o que é dos outros; tristemente, sentimo-nos infelizes, incomodados ou enraivecidos por causa do sucesso, do bem-estar ou da riqueza dos outros; apressadamente, queremos atingir a meta do sucesso, mas sem trilhar, pacientemente e passo a passo, todos os degraus, todas as curvas e contracurvas que a caminhada exige; estupidamente, inquietamo-nos só com o dia de amanhã esquecendo-nos de viver e de valorizar o instante presente; egoisticamente, preocupamo-nos apenas com o nosso umbigo, em detrimento da família, do companheiro do lado, do colega de trabalho, do parceiro empresarial, da equipa a que pertencemos, do coletivo onde estamos inseridos, da instituição onde prestamos serviço; cegamente, queremos, a todo o custo, e mesmo por meios ilegais, amealhar riquezas, prestígio, reconhecimento, homenagens, distinções, louvores.
O Ali Bem Ténpu, homem vivido e experimentado na saga do existir, conhece todos os desvios comportamentais que atrasam, desviam ou comprometem a felicidade dos humanos.
“Kusas ten ki muda”. Alavancado no poder do seu pensamento, o nosso visionário começa a enxergar um mundo onde o egoísmo e a cobiça cedem lugar à fraternidade, ao humanismo e à felicidade. Esta, naturalmente, emerge como uma “poesia feita [e aprendida] de cor, ao som do violão”, com palavras escolhidas que só o povo simples sabe articular; com atitudes solidárias e fraternas que desconhecem o ódio, a inveja e a cobiça; com perfeição, simplicidade e naturalidade que se aproximam do altruísmo, da generosidade e do amor divinos.
Acreditando nós que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, temos que admitir que não há nenhuma heresia no pensamento visionário do Ali Ben Ténpu.
Quem tenha razões para acreditar, que acredite.









domingo, 14 de maio de 2017

NOS MÃI PA RIBA TUDU



Na es mundu, nada ka más grandi ki Statutu y Amor di Mãi. Na un dia ki, na txeu párti di mundu, ta selebradu DIA DI MÃI, N lenbra di un momentu partikular ki atitudi di nha mãi marka-m pa vida interu.

Éra na un altura ki poku algen tinha kuarta klasi (nha pai tinha purmeru grau y nha mãi éra iletrada). Mi N konsigi, dibaxu di txeu tirsidjadura y insentivus di nha pai ku mãi, txiga na izami di kuarta klasi. Éra, pa mi, un grandi pasu ki N sa ta daba y N pensa ma selebrason ta sérba di kel bon ki bale. Entritantu, nha mãi da-m dôs tiston pa N pô na bolsu y kantu N regresa ku diplóma na mon, N atxa un pratada di tenterén ta spera-m. N djobe pa nha mãi, N fla-l: mamá, pa bu fidju fase purmeru y sugundu grau, y kel-li k’é fésta ki bu ta guarda-l!?

Kavakadu, el djobe-m taan, y el rusponde-m: “nha fidju, nha ponba d’oru! Oxi é kel-li ki nha kondison ta pirmiti. Mas, ku simenti ki oxi bu kaba di símia, manhan spiga ta disponta, ngarnel ta labanta, tanboru kapás di transborda”. Dja fladu ma dizeju di mãi é sima senténsa di juís, ten ki produzi efeitu.

Na altura, N ka ntende sábi kusé ki nha mãi kreba flaba-mi. Oxi, si profesia realiza y adimirason ku gratidon pa el bira grandi sima Séu, profundu si Mar, razistenti sima Rótxa.

Obrigadu Mamai, nha Mãi. Na es Dia di oxi, N krê presta-bu un grandi ominájen, un ominájen ki N krê stende pa mãi di nhas fidju y nétus, pa tudu mãi na nha família, pa tudu mãi ki N konxe, pa tudu mãi di mundu.


Si na Séu Diós é más grandi ki tudu, na Téra, statutu di mãi ki sta pa riba di tudu.

domingo, 16 de abril de 2017

A Poética de José Miranda (Um Magistério de Fé e Amor, Uma Pedagogia de Humanismo e Patriotismo)



                                                               Por Manuel Veiga

Aprendi a respeitar e a admirar o José Miranda não pelo conhecimento direto, mas pelas referências altamente elogiosas que dele ouvia por parte dos meus pais e de alguns dos seus alunos, entre os quais, uma irmã minha.
Exerceu o magistério por largos anos e é nessa profissão, bem como na vivência de uma fé profunda e arreigada que ele se sente mensageiro da palavra, particularmente quando faz uso da arte de Minerva para veicular as suas preocupações, inquietações e ensinamentos.
Escolhemos dois aspetos da sua poética para o retratar como mensageiro da palavra, através da sua e amor, e como pedagogo do humanismo e do patriotismo.

·      Comecemos com a sua mensagem de fé e de amor:

José Miranda é um homem de fé. Tudo o que é e faz tem a moldura e os ingredientes da sua profunda fé. É assim que, no poema “Mudjer di Kabuverdi” (p.19), exorta-a dizendo:

Lenbra ma ómis di mundu interu,/ Tudu es é igoísta.//Pur isu, dj’es poi Diós dun banda,/ P’es ta sâsia ses vontadi.

Para o autor, Deus é razão de tudo, é riqueza suprema, é fonte de todas as alegrias, de todas as realizações, tanto as humanas como as divinas. Daí ele se insurgir contra a desinteligência dos homens que vêm colocando Deus de lado para dar vazão ao seu próprio egoísmo, abusando da fraqueza feminina, em vez de a amar como companheira e parceira, tanto nos bons como nos maus momentos.
E se Deus formou a mulher da costela do próprio homem, então

Bo é nha anju da guarda/ Oázis di nha viaji na dizértu,/ Bérsu na nha noti grandi,/ Séu di nha alma n’es mundu.// Ama sin, mas iziji amor./ Fika linda, pura y santa.// Ka bu dexa bu nbala na kantiga/ D’es mundu nganador/ Ki ta pô-bu nkosta nun kantu/ Y sen gostu di bu kontínua kanta”.

A mensagem do poeta é para a mulher amar e ser amada, e não se deixar embalar nas falsas promessas deste mundo enganador. E para que isto aconteça, o poeta deixa um conselho: sem abandonar Deus, e sem perder a fé, sendo pura e santa, “Buska más informasan/…Y pusta na formasan”.
A escrita de José Miranda podia ser considerada, em grande parte, uma poética de fé, no feminino. Tal é a importância da relação com o Transcendente, do amor e do lugar que a mulher mãe, esposa, filha, namorada, madrinha e companheira, ocupam na sua poesia. Daí a pedagogia da sua mensagem no sentido dela abrir os olhos para a santidade, cuidar da beleza física, sim, para poder ficar “linda, pura y santa”, mas também buscar a informação e apostar na formação.
Para aprofundar essa mensagem de fé e amor, no poema “Mulher Ontem e Hoje” (p. 20) exorta:

“Não te esqueças que tu és/ A Imagem da Mãe dos Céus.// Do teu ventre nasce Deus»,/ Nasce «Pedro»,/ Nasce «Adão»...// Seja Virgem ante Eva.// São apenas conselhos meus.// Passear ou dançar nua,/ Não te leva à parte alguma”.

O poeta compara a mulher com a Virgem Maria e lembra-a que o seu ventre é um templo sagrado que, à semelhança do que aconteceu com Deus Menino, pode gerar outros infantes, portadores da bênção divina. Por isso, volta a chamar a atenção das mulheres: “Passear ou dançar nua,/ Não te leva à parte alguma”.
O aviso do poeta vem na linha da exortação de Santo Agostinho quando diz: “ama e faz o que quiseres”. Ora, quem ama respeita o seu corpo e o dos outros, como templo de Deus. De acordo com o Novo Testamento, quem ama não faz ao outro o que não gostaria que a ele fizessem. Quem ama conjuga os verbos “amar e respeitar” em todos os tempos, modos e pessoas. E este exercício é divino, mas também é humano.
Para o autor, o desrespeito do nosso corpo como templo sagrado, tanto por parte do homem como da mulher, “não os leva a parte alguma”. Não sendo ingénuo, ele sabe que esse respeito, o tal que leva a “amar e fazer tudo o resto”, só é possível quando a fé e o amor coexistem. Então, se há um objetivo na poética de José Miranda, esse objetivo é o de fazer de cada ser humano, homem ou mulher, um templo onde reinam, num salutar convívio, a fé e o amor.

·      Uma outra mensagem que a poética de José Miranda veicula emerge da importância conferida ao humanismo e ao respeito pelos direitos fundamentais da pessoa humana.
A mensagem que aqui ressalta está muito ligada à vivência da fé e do amor. Porém, se na primeira mensagem a tónica é posta no aspeto sobrenatural e espiritual, nesta nova mensagem a tónica é colocada no humanismo e patriotismo das relações sociais.
É assim que no poema “A Capelinha Estragou Fechadura” (p.34), o poeta volta a exortar:

“O amor é belo/ quando belo é o par que se ama (…) // As rosas lindas dos nossos canteiros/ são protegidas por ruins espinhos (…) // Menina africana (…) // Que o teu sacrário seja sagrado (…) // Trabalha, estuda, organiza e defende-te (…) // Quem ama, não mata”.

Aqui, o humanismo do autor emerge da forma como vê o amor. Este só é belo e só existe quando “belo é o par que se ama”. No amor, humanamente concebido, se dá e se recebe, e nele as lindas rosas estão rodeadas de espinhos. Ou seja, assim como não há roseira e rosas sem espinhos, não há, também, amor humano sem atritos. Porém, é preciso saber colher as pétalas, sem se deixar ferir pelos espinhos. E isto só é possível quando o amor é partilhado, quando há transparência e tolerância no relacionamento, quando a donzela se respeita e se faz respeitar, quando o mancebo ama sem desrespeitar ou sufocar o amor.
Para melhor se fazerem respeitar, o poeta exorta as donzelas ao trabalho, ao estudo, à organização e a autodefesa, porque, nem sempre, os mancebos estão preparados para honrar o princípio de Santo Agostinho. Muitas vezes, há a tentação da “carne”, na ausência de um amor partilhado.
O poeta, para dar exemplo de um amor partilhado e moldado segundo o princípio de Santo Agostinho, eis como fala da sua esposa em “Un Puéma, Un Amigu di Sénpri, p.55:

“Nes mundu pasajeru,/ Nha séu más altu é bu sedju.// Baxu di Nhordés é bo.// Sen bo mi N ka ningen.// Di dia, bo é tétu d’es lar,/ Di noti, un bérsu di enbalar,/ Undi nha sonhu ta ganha/ Sénpri un nobu vigor,/ Pa gósi y pa bida interu.”

Aqui, o vate, eternamente apaixonado pela mulher amada, confessa a riqueza de um amor partilhado: “Nes mundu pasajeru (…) / Baxu di Nhordés é bo/ sen bo mi N ka nada”.
A esposa é quase divinizada. O lugar que ela ocupa está logo a seguir ao do Ser Supremo que é Deus. Ela quase que se transforma em razão de ser do marido “sen bo mi N ka nada”.
Ora, embora o poeta não diga, o amor pelo ente amado atinge essa elevada dimensão porque ele é correspondido, na mesma medida, a ponto de, estando no mundo passageiro, é capaz de atingir as alturas da mansão celestial. É por isso que, referindo-se à esposa querida, diz: neste mundo passageiro tu és o meu céu, hoje, amanhã e sempre.
A pedagogia do verdadeiro amor é traçada pela própria vivência do vate. É uma pedagogia eficaz na medida em que não se limita a falar do amor apenas a nível de princípios, mas a nível de uma vivência real e na primeira pessoa. É por isso que, falando, ainda, do ente amado, declara: “Di dia, bo é tétu d’es lar, / Di noti un bérsu di enbalar”.
Ora, o teto de uma casa é para agasalhar e proteger das intempéries todos os membros da família. Assim, o amor do casal contagia e se projeta no amor de todos os integrantes do lar, isto é de toda a família. Por outras palavras, um verdadeiro amor do casal é o melhor viveiro para o amor do e no lar. E isto não só é humanamente possível como também é espiritualmente aconselhável, sendo certo que um humanismo equilibrado e vitaminado no lar é fonte, também, de uma fecunda vivência espiritual. Toda a pedagogia do vate vai no sentido de valorizar o humano e aperfeiçoar o espiritual. E isto é uma corrente que perpassa por toda a poesia de José Miranda.
Mas o humanismo do poeta não se restringe apenas à vida no lar. Ele se preocupa também com outros setores da sociedade. No poema “Um de Junho” (p. 56), à semelhança do poema “Criança”, de Jorge Barbosa, o poeta mostra-se defensor dos direitos desta e doutras camadas sociais, quando escreve:

Desde Oriente ao Ocidente,/ Em todos os continentes,/ Toda criança tem direito/ De viver e, estar contente.// Infelizmente, não acontece.../ O interesse da Criança/ Está muito prejudicado.// Muitas perdem esperanças,/ Porque o Homem no seu avanço/ E na fúria das matanças/ Seja com bombas ou lanças,/ Não poupa vida às crianças.// Nós que estamos em liberdade/ E temos possibilidade/ Gritemos cada vez mais forte:/ Não queremos mais morte.// Não queremos mais fome.// Não queremos mais guerra.// Não queremos mais droga.// Não queremos mais roubo,/ Nem prostituição.// Viva a paz.// Viva alegria.// Viva crianças do mundo inteiro”.

É o humanismo do poeta que o leva a constatar que os direitos das crianças, do Oriente ao Ocidente, em todos os continentes, não estão a ser respeitados e reclama a reposição dos mesmos. É este mesmo humanismo que o leva deplorar as guerras, as matanças, o terrorismo, a fome, a corrupção, a insegurança, a droga, a prostituição, a falta de inclusão…
Diríamos que todos os problemas do mundo moderno, tudo o que vai contra a paz, contra a fraternidade, contra a inclusão, contra a qualidade de vida e do ambiente, numa palavra, tudo o que constitui ameaça para a humanidade é objeto de denúncia e de preocupação por parte do escritor-vate.
A sua oficina de poeta inquieto, mais interventor que sonhador, não se restringe apenas aos valores do humanismo. A exaltação e a busca de patriotismo encontra eco permanente na gramática da sua poesia e na poesia da sua gramática. E isto nos leva a entrar no último aspeto da nossa reflexão ou seja:

O Lugar que Pátria ocupa na Poética de José Miranda.
Vivendo nós num mundo globalizado, o sentimento de patriotismo e de identidade nacional e territorial tem sofrido alguma erosão. O mundo já não é uma casa de portas e janelas fechadas, mas sim um campo de horizontes abertos, em todos os sentidos. Assim, a pátria, cada vez mais se vai diluindo nos valores de um humanismo planetário. A tendência parece ir, cada vez, no sentido da edificação de uma entidade que reclama mais da bandeira do humanismo do que da do nacionalismo estreito. É por isso que assistimos à constituição dos Estados Unidos da América, da União Europeia, do projeto da União Africana, da criação das Nações Unidas, da constituição de vários blocos económicos, políticos e culturais, cada vez mais crescente.
Porém, apesar de toda essa tendência globalizante, as diversas nações do mundo continuam a acarinhar e a defender os valores que as particularizam e especificam, na certeza de que o global só existe porque o local resiste e persiste.
A defesa da pátria e dos valores que a enformam encontram um forte eco na poética de José Miranda.
Em carta que o autor me dirigiu, chegou a confessar-me que, face a degradação de valores, tanto os espirituais como os do humanismo e do patriotismo, sentiu a necessidade de exercer uma pedagogia de transmissão e exaltação dos mesmos, numa atitude quase que missionária, particularmente junto da classe juvenil, aquela que é mais suscetível a contravalores e à miragem de pasárgadas e de paraísos ilusórios.
Retomando a pedagogia do patriotismo, sem se esquecer a da fé e do humanismo, no “Poemas de Esperança” (p. 59), o poeta confessa:

“Sou sim,/Uma criança.../Um homem pequenino.//Dentro de mim há uma ânsia/De ser um sino que anuncia a paz.// (…) Dentro de mim há a esperança/De justiça no meu país.// … há a intenção/Contra o pecado e a tentação.// … Somos plantas em crescimento,/…A esperança e o alimento/Da nossa Pátria, Cabo Verde.// Somos todos continuadores/Dos nossos pais e professores.//Seremos luz, água e energia,/Deste mundo cego…”.

O poeta se transforma numa criança pequenina, sem malícia nem maldade, confessando querer ser o mensageiro da paz, da justiça, da luta contra o pecado e a tentação, a esperança e o alimento da pátria, continuador dos pais e professores, esplendor de luz, fonte de água e de energia num mundo egoísta e carente dos valores que enformam tanto a fé, como o humanismo e o patriotismo.
E porque nesta parte é o patriotismo que prende a nossa atenção, vamos deter-nos na mensagem em que o poeta invoca a esperança de ser o alimento da pátria “Cabo Verde”, sendo continuador dos pais e professores. É por isso que manifesta a vontade de ser luz que ilumina as nossas tradições, água que fecunda e aprofunda as nossas raízes.
Sendo um filho de Assomada, o poeta insurge-se contra o visual acinzentado da sua cidade, devido à falta de pintura na parte exterior dos edifícios. Eis como ele convida os seus patrícios, particularmente os emigrantes, a cuidarem das respetivas habitações, já que isto é também um sinal de patriotismo:

“Filho ou filha que vem de fora,/ Se contribuis pelo meu aumento/ Não te satisfaça o meu crescimento.// Não pares apenas no ferro e cimento.// Esforça-te e dê os acabamentos.// Por dentro, sim, para o teu descanso/ Também, por fora, para o meu encanto.// Convida turistas a virem contigo/ Gozar um pouco do meu clima de ouro/ Que Europa e América e nenhum outro Possui,/ O que só é possível, se com a Natureza/Juntardes a mão e me derdes a beleza.// Sou Assomada,/ … Estou nua!.../ Contudo, sou tua...”.

Falando da sua cidade Assomada, diz o poeta: “Estou nua/ contudo sou tua”. Sendo uma cidade tão bonita, no alto de um planalto, embalada e cortejada, dia e noite, pelo Pico de Antónia, pelo Monte Birianda e a Cordilheira da Serra Malagueta, com um clima doce e ameno que faz inveja tanto na Europa como nas Américas, porque será que os seus próprios filhos te deixam nua e abandonada, pergunta o poeta.
Um patriota é também aquele que se interessa pela valorização do seu meio ambiente, e o lar é o centro desse mesmo meio. Não faz sentido cuidar apenas do seu interior e abandonar o exterior. Por isso, o poeta pede aos conterrâneos que se esforcem um pouco mais com os acabamentos para que o encanto da sua cidade seja maior. E se o fizerem, a Cidade de Assomada revestir-se-á de encanto, atrairá mais turistas e o seu crescimento vai rimar com o seu desenvolvimento, ficando mais reforçado o sentido da nossa cidadania e do nosso patriotismo.
No poema “A Cidade de Assomada no Planalto de Mato Engenho” (p. 206), reafirma os deveres e obrigações que os  santacatarinenses deveriam assumir perante aquela que é  “Terra querida, santa e saudável”.
Continuando a exprimir a sua estranheza, o poeta, umas vezes exclama e outras vezes interroga e se interroga, às vezes ainda ordena:
“Como serias forte se os teus grandes e formados quadros,/Melhor de ti se lembrassem!”
Prosseguindo, reafirma:

 “… um filho educado, não se esquece de amar e servir os pais”.

Continuando:

“… Porque é que de ti se esqueceram?!/ Onde estão os teus meninos?/ Onde estão os teus formados?/ Onde estão os teus quadros?!/ Onde param teus rapazes e tuas moças, a quem tanto apostaste?/ Com arquitetos e engenheiros, médicos, juízes e economistas,/ geógrafos e administradores,/ sacerdotes, freiras e pastores,/ cientistas de todas as cores/ E tu, gemendo sob o peso de várias dores…/Todos passam e te veem,/ Nada fazem, nada dizem … ».

E prosseguindo:

“… Assomada, eu te bendigo.// Apesar de nua e parda,/ És brilhante e atraente e, para muitos, até, bendita… // Só falta aos teus cidadãos/ Virar melhor a atenção/ E deitar as suas mãos à tua reconstrução,/ Repondo em ti, com gratidão,/ O fruto da formação recebida, como resposta da educação …// Espero ver-te como as demais,/ uma cidade ornamentada e sobretudo, organizada,/ Ainda enquanto eu viver”.

No poema em análise, o pedido do poeta é quase uma ordem. Num primeiro momento, consta que Assomada seria forte se os seus filhos dela se lembrassem. Depois, com a autoridade de um ancião sábio, proclama que um filho bem-educado nunca deixa de amar e servir os seus pais. Mais à frente, pergunta pelo paradeiro dos muitos quadros de Santa Catarina e em diversos domínios do saber. Constata que apesar de ter contribuído para a formação de muita gente, todos passam por ela, sem a enxergar, sem dizer nem fazer nada.
Apesar de toda essa ingratidão, canta Assomada, sua musa: “… eu te bendigo// apesar de nua e parda”. E em jeito de nota final, exprime o seu maior desejo:

“… Espero ver-te como as demais,/ uma cidade ornamentada e sobretudo, organizada,/ Ainda enquanto eu viver”.

Aqui ficam os sonhos e o desafio de um santacatarinense de fibra, de corpo e coração.
Estou certo que a melhor recompensa que espera de todos os filhos e amigos de Assomada e de Santa Catarina é que cada um, em conformidade com a sua capacidade e força de intervenção, contribua para que esta parcela, que também é Cabo Verde, ocupe no mapa do Arquipélago o seu verdadeiro lugar.
Mais recompensado, ainda, ele ficará se os jovens e menos jovens souberem aproveitar o seu magistério de fé e de amor, a sua pedagogia de humanismo e patriotismo.
E se isso acontecer, terá motivos para dizer que a sua mensagem caiu em boa terra, como aquela de santa Catarina, e que Deus, certamente, abençoará as azáguas, as muitas azáguas da sua/nossa querida Cidade do Planalto, tanto as azáguas da fé e amor, como aquelas de humanismo e patriotismo.

                            Abril de 2016