quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Cabral na Palavra dos Outros

    CABRAL VISTO POR AHMED BEN BELLA
    (Primeiro Presidente de Argélia e grande obreiro na luta de libertação em relação à Franca):
    "Era um Grande Homem. À sua modéstia e à sua integridade de militante, se associava uma grande inteligência e uma vasta cultura, o que faz dele um verdadeiro teórico da Libertação de África.
    As suas opiniões deveriam servir-nos hoje para cumprir as nossas tarefas de reconstrução da África. Uma África segura dela própria, emancipada, liberta das dívidas, próspera e unida. Uma África que pertença aos Africanos e que encontre o seu lugar num mundo diferente, sem guerra e sem sofrimento" (in Atas do Simpósio Internaconal Cabral no Cruzamento de Épocas, 2005, FAC, p.783).
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    CABRAL VISTO POR JOSÉ-MARIA NEVES
    (ex-Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Presidente da Fundação que leva o seu nome):
    "Avesso como era ao culto de personalidade – Cabral considerou que N’ Krumah tinha sido deificado pelos seus companheiros e, precisamente por isso, liquidado moral e politicamente, mesmo antes do seu derrube do Governo – considero que a melhor forma de homenagear Cabral não é fazer o panegírico do seu pensamento elaborado num preciso contexto histórico, repetindo o seu conteúdo, mas antes, na linha do seu labor teórico, ‘pensar com as nossas próprias cabeças’ e criar, a partir da realidade do mundo contemporâneo" (in Atas do Simpósio Internacional, Cabral no Cruzamento de Épocas, FAC, p.47).
    Prosseguindo num outro espaço e momento:
    "Estes postais [está-se a referir a Itinerários de Amílcar Cabral] expressam o percurso de um Homem grande da história moderna da África que ama desmesuradamente tudo o que é belo: da rebelião ao sol, da liberdade às rosas, da esposa às tulipas, dos filhos e crianças aos animais, da justiça aos companheiros da luta pela redenção dos povos da Guiné e Cabo Verde. ‘No fundo do homem a busca permanente da beleza. Busca desesperada às vezes, mas sempre fecunda’ (…).
    Amílcar Cabral, qual peregrino da liberdade, priva com os principais líderes do mundo e participa entusiástica e incansavelmente em várias instâncias da OUA e da ONU, e consegue levantar bem alto o nome do PAIGC e da luta dos povos da Guiné e Cabo Verde (…).
    Somos surpreendidos em cada postal que abrimos. O pormenor da descrição, a fina sensibilidade do escritor, os sonhos do poeta que deseja evadir-se, romper as amarras e chegar para lá do horizonte onde encontra a mulher que é a sua âncora, o seu porto seguro, o seu oásis ‘nos vendavais desta luta gloriosa’ (…).
    Tenho uma profunda admiração por Amílcar Cabral. Ao ler estes postais pude descobrir um Homem ainda infinitamente maior" (in Itinerários de Amílcar Cabral, 2018, Rosa de de Pocelana, p.19 e 20).
    Comentários

    Consulat Cap Vert Un tres grand homme
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    Jean Claude Cabral JE CONSIDERE, en effet que la meilleure façon d'honorer CABRAL n'est pas seulement de faire continuellement l'éloge de sa pensée élaborée dans un contexte historique, en répétant de manière récurrente son contenu. Mais après, dans la continuité de son Ver mais

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    Amilcar Ventura · Amigos de Iva Cabral


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    CABRAL VISTO POR SENGHOR
    (ex-Presidente do Senegal):
    "Precisamente na confusão que é a nossa, o exemplo e o ensino de Amílcar Cabral podem, devem, trazer-nos luz e reconforto.
    Com efeito, Cabral era não só um homem de cultura mas ainda um homem de lucidez e de medida; mestiço no sentido mais nobre da palavra. Ele sabia e dizia que a verdade não era dada antes de tudo: ela nascia do diálogo, isto é, da confrontação, melhor ainda, da simbiose entre ideias e temas opostos.
    Entre a cultura e a política, a poesia e a ciência, a teoria e a acção, o combate pela descolonização e a luta pela civilização do universal, ele tinha escolhido a simbiose viva, dinâmica, criadora entre as duas formas de actividade.
    Só esta via, a de Amílcar Cabral, nos ajudará a resolver os nossos problemas africanos de hoje…"
    (in Atas do Simpósio Internacional Continuar Cabral, 1983, FAC, p. 25).
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    Manuel Veiga Merci, Jean-Marc Heyert. Je ne connaissais pas cette version en français. J'en suis content.

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    Consulat Cap Vert Un des très grands leaders du Continent

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    Capinero Abada · 51 amigos em comum
    Tudu jovens deby konxy kabral...
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    CABRAL VISTO POR CARMEN PEREIRA
    ( Combatente da Liberdade da Pátria, ex-Presidente da Assembleia Nacional da Guiné-Bissau):
    "Sendo o legado de Amílcar Cabral um património pan-africanista e de cariz universal, o lema [do Simpósio Cabral no Cruzamento de Épocas] inspira-nos a refletir nas obras e nos ensinamentos do nosso saudoso líder Amílcar Cabral. Homem do qual deveremos ter sempre na nossa memória as suas obras e o seu espírito humanista como um legado não só exclusivo do povo Guineense e Cabo-verdiano, mas de toda a África, senão de toda a humanidade (…).
    … pelo facto de ter participado lado a lado com o homenageado, facto que me permitiu conhecer não só um líder, mas também um companheiro, um camarada e um irmão que nas horas de angústia e solidão sempre conseguia levantar o ânimo dos seus camaradas. Posso afirmar que tive o privilégio de conhecer um Homem ímpar e de referência mundial.
    Igualmente, tive a oportunidade de reconhecer nele um homem cuja obra continua válida até à data presente… ele continuará na minha memória como um dirigente que sempre soube dirigir e compreender os seus companheiros e como líder agiu sempre com um sentido humanista em toda a sua tomada de decisão" (Atas do Simpósio Cabral no Cruzamento de Épocas, 2005, FAC, pp. 809 e 810).
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    Siaca Sumaré Seide · 3 amigos em comum
    Mama África Carmem Pereira

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    Ireneu Augusto Nascimento Lopes · 8 amigos em comum
    A nossa heroína Mama Carmem

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    Djalo Mamudo Conhecer Amilcar Cabral é outra!! Partilhar a ideologia política do Amilcar Cabral é outra!!

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    Responder5 dia(s)Editado

    Abraao De Sousa Is she still alive,Respect.
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    CABRAL VISTO POR OLOF PALME
    (Antigo Primeiro-Ministro da Suécia)
    "Quando Amílcar Cabral foi assassinado em 1973, ele foi vítima de um acto criminoso. A perda sofrida pelo seu país e o seu povo é irreparável. Com ele desapareceu um dos maiores dirigentes do Terceiro Mundo.
    Homem de inteligência e futuro Amílcar Cabral foi tanto um revolucionário como um construtor da sociedade. Ele apreendia os problemas e as tarefas situadas para além da luta armada. As transformações que se impunham ocupavam constantemente o seu pensamento.
    Dos meus encontros com Amílcar Cabral retenho a lembrança de um amigo e de uma dignidade e simplicidade que forçavam o respeito e suscitavam a confiança. A sua autoridade era tão natural como contagiosa bem como a fé que tinha no futuro.
    O vazio que ele deixa é grande. Mas sua personalidade imponente e atraente bem como a obra por ele realizada assegurar-lhe-ão para sempre um lugar entre nós"
    (Atas do Simpósio Internacional Continuar Cabral, FAC, 1983, p. 687).
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    Americo Fernandes · 5 amigos em comum
    AmilcaCabral ka mori!AmilcaCabral è ku nos! AmilcaCabral è vivo!!
    Somos um poco livre? Podemos dizer: Obrigado AmilcaCabral
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    Tchutchu Monteiro O nosso mentor...lider mundial
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    Nildson Lila · 153 amigos em comum
    Obrigado, Cabral
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    Plinio Gomes · Amigos de Iva Cabral e 5 outras pessoas
    Se houve gente culta capaz de retratar o nosso saudoso Amílcar Cabral como um estadista e visionário, deixarei os tolos divagarem nas redes sociais. Esses que não sabem ser humildes e reconhecer nesse homem como o nosso maior orgulho. Glória eterna a Amílcar Cabral.

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    CABRAL VISTO POR PAULA FORTES (combatentente da Liberdade da Pátria, ex-deputada nacional)
    «O ENCONTRO:
    A 28 de Novembro de 1970, depois do acolhimento pelo responsável de protocolo do PAIGC no aeroporto de Conakry…
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    Lucette Diawara · Amigos de Iva Cabral e 13 outras pessoas
    Minhas Pola (nome que eu lhe dei depois da nossa visitar à Mortania.....) saudades imensas RIP Minh a irma de luta.

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    Bacar Bwá Sanhá · 36 amigos em comum
    Palavras para quê?Vinda duma Grande Mulher reconhecimento a um Excelente Homem,que dispensa quaisquer apresentações!Glória eterna Dona Paula Fortes!Curvo-me perante vós em geral,que,incansavelmente ensinaram-nos,deram às vossas preciosas vidas para que hoje pudéssemos ser Homens e Mulheres livres e conscientes!Deus tenha piedade deles!

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    Marie Päule De Pina Il y a des personnes qui vous captivent car elles ont la lumière en elles.quand je l ai rencontrée en 1986 lorsque je faisais mon reportage elle était a l OMCV.Puis ensuite au fil des années nous sommes devenues amies.Premiere femme déléguée de gouvernVer mais

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    Carlos Ussumane Bangura · Amigos de Dauda Sanó
    Está humildade nos falta hoje, saber reconhecer, saber aprender e saber respeitar. Uma das camaradas do Team de Cabral, os nossos queridos antigos combatentes.
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    CABRAL VISTO POR CARLOS VEIGA
    (Um dos fundadores do MpD, ex-Primeiro-Ministro de Cabo Verde):
    "Amílcar Cabral está indissoluvelmente ligado à nossa Independência. Foi ele um dos primeiros que apresentou, consistente e determinantemente, como a única opção da Nação caboverdiana colonizada; que a teorizou quanto a fundamentos e objectivos; que concebeu e construiu os instrumentos, a estratégia e a tática para a conquistar; e que dirigiu a luta armada para a obter.
    Assassinado cobarde e traiçoeiramente, a solidez do trabalho realizado até então, a clareza da orientação deixada, o gigantismo da coragem e a profundidade das convicções que soube incutir nos seus colaboradores próximos permitiram que, mesmo sem a sua presença inteligente, estimulante e mobilizadora, o sonho por que tanto lutou e se concretizasse pouco tempo depois.
    Por isso, muito justa e inequivocamente, Cabral é, para todos os caboverdianos, o primeiro dos seus Heróis, o maior dos seus Homens Grandes" (Atas do Simpósio Internacional, Cabral no Cruzamento de Épocas, 2005, p. 441).
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    Jose Herculano Soares · 43 amigos em comum
    Mas sejamos serio as ilhas menos Santiago ganharam u k ?
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    Albertino Santos Nascimento Por tudo o que se tem feito e dito desde a criação do MPD passando pelos seus governos, na tentativa de sombrear e até desacreditar politicamente a conquista da independência e o legado de Cabral,custa acreditar que um dia Carlos Veiga proferiu essas sábias palavras!

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    Carlos Cardoso · 13 amigos em comum
    Oi
    Gente, política, crítica, falar por falta, glorificar, reconhecer, etc etc, nao e mais nen menos de que usar de que fazer de CABRAL a escasa para subir! Subir ate ondi? Lembra se de que quem mais alto subir, mais baixo vem cair. CABRAL Nao e qualque
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    CABRAL VISTO POR PEDRO PIRES, Presidente da Fundação Amílcar Cabral
    "Cabral, sendo o maior de nós todos, era também um pouco de todos nós… Era uma dessas personalidades singulares que, produto de uma época e fruto de uma conjuntura, modelam essa época e deixam, para todo o sempre, depositada na estrutura da história humana uma pedra que reforça e enriquece o espólio colectivo da humanidade…
    A obra de Cabral é a resultante da concentração num só homem de um conjunto invulgar de aptidões e dotes individuais, de entre as quais avultava uma extraordinária percepção da realidade social e uma opção sempre coerente em prol das causas justas que, inclusivamente, já se encontra em poesias de tempo em que era estudante liceal – e da sua capacidade de sintetizar, elaborar e traduzir em fórmulas claras, em exposições simples ou em injunções precisas a ‘acção colectiva’ de toda uma geração de luta" (Atas do Simpósio Continuar Cabral, 1983, p. 693).
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    Amarildo Dos Reis · 486 amigos em comum
    O debate esteve muito bem e interessante, até quando uma pessoa apelidou o outro de "gatero do achada Santo antónio"! Cada um tem a sua opinião, que deve ser respeitada. Adjetivar pessoas pejorativa e gratuitamente, não tem espaço neste painel.

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    Maday Tavares · Amigos de Pulonga Bita e 3 outras pessoas
    Foi pena nao te deixaram viver para amares mais e mais.
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    Deolinda Mendes · 2 amigos em comum
    Foi ggrande Homem e guerreiro p defender os direitos do ser humano
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    Luz Marina Mateo · Amigos de Paulo Varela da Veiga
    Partilho desde a Argentina (uma "caboargentina") 
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    CABRAL Visto por Gérard Chaliand:
    "Com o recuo do tempo e uma mais justa apreciação do que foi efectivamente realizado, é altamente provável que, enquanto dirigente revolucionário, Amílcar Cabral ocupe, em África, o primeiro lugar. À escala do terceiro mundo, é dos que, pouco mais numerosos que os dedos de uma das mãos, pela reflexão e acção, pelo rigor intelectual e pela aura da sua personalidade, deixaram uma herança que, com a condição de não ser mumificada, continuará a ser uma fonte de inspiração" (Continuar Cabral, Simpósio Internacional/1983, p. 463).
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    Americo Fernandes · 5 amigos em comum
    O dialogo para um mundo melhor!
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    Isidoro Júnior We Are Cabralistas
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    Papy Milan Barros Cabral sempre nos nossos corações e pensamentos.
    Companheiros, pensar, pensar, pensar o Cabral sempre. Deixou-nos um grande legado e herança, cabe a nós saber aproveita-los bem para melhor pensar a Guiné. #Cabral_comandante_sempre.
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    Lucette Diawara · Amigos de Iva Cabral e 13 outras pessoas
    E kela la. Na cis 2 seras Cabral ka tem consideracao. Grandes home sima Mandela, grande escritor si ma Chaliand, tem grande repeito pa ele. Pacienca
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    CABRAL VISTO POR NELSON MANDELA
    Acabo de receber um exemplar de Itinerários de Amílcar Cabral. Obrigado à Márcia e ao Filinto que mo enviaram; obrigado António Correia Silva que foi o portador, tendo tido a gentileza de vir, pessoalmente, à minha casa fazer a sua entrega.
    Já iniciei a leitura desta preciosidade. Vejam só a afirmação do Secretário-Geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres, que diz:
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    Carlos Alberto Delgado Eu também preciso de um exemplar do livro. Ajudem-me a localizá-lo. Boa leitura caro professor José Maria Veiga
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    Fernando Reis Ainda bem que cabral tambem era Cabo verdiano, e eles vao esplanar lo e lever o nome aos quatro ventos como bem merece. Pena mesmo é ter nascido na Guiné. Nao merecemos um um vulto assim desta craveira.
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    Iancuba Djola N'Djai · 9 amigos em comum
    Obrigado à nossa Mãe Ana Maria Cabral pelos 'Itinerários de Amilcar Cabral'! Espero o lançamento deste livro na Guiné-Bissau!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Desafios para a Construção de uma Identidade Comunitária na CPLP através da Língua Portuguesa




Introdução e Enquadramento

Sendo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) um espaço aberto e plural, alicerçado na língua portuguesa, para abordarmos os desafios da construção de uma identidade comunitária, começaríamos por discorrer sobre a vocação universal da língua que dá suporte a essa identidade.
Assim, querendo ilustrar essa vocação universal, citaremos uma pertinente afirmação de Paul TEYSSIER que considera o português como «filho da conquista» e explica o porquê:

          «Nasceu, na Idade Média, quando os exércitos cristãos, ocupando a parte ocidental da     Península Ibérica dominada pelos mouros, levaram consigo até ao Sul a língua galego- portuguesa oriunda do Norte. O Português moderno resulta assim da acção exercida no            galego-português pelo substrato dos dialectos moçárabes de origem românica, que o povo          cristão nunca  deixara  de falar durante os longos séculos da ocupação muçulmana. Mas o          português é também filho da conquista por ter sido levado para vastas regiões do mundo   no          fim da Idade Média e na época do Renascimento, quando se deu a grande aventura dos           Descobrimentos»[1].

Já desde o seu nascimento, a língua portuguesa, quando despida da ideologia colonial que manchou uma parte da sua história, foi e é capaz de se afirmar como um espaço aberto onde o diálogo, a tolerância e o inter-relacionamento acontecem. Doutro modo, não existiria como existe hoje, exibindo, na diversidade e tolerância, a marca ecléctica do humanismo, da ciência e da cultura.
É particularmente devido a esses predicados - estando já afastado o espectro de uma tentação glotofagista – que, hoje, ela se orgulha de ter conseguido compartilhar a pátria de outras pátrias.
Resgatada em alguns países africanos e em Timor Leste, como língua oficial, o seu espaço que, outrora, fora duramente imposto, passou a ser assumido, política e culturalmente.
Tanto na Ásia onde ela persistentemente se revigora em Timor e sobrevive em certas comunidades que partilham com Portugal alguma história comum, como na Europa, em África e na América do Sul onde floresce e se consolida.
Como semente ou colheita em campos tão diferentes, a língua portuguesa, para ser fecunda e dar provas de vivacidade, tinha que saber reinterpretar o real, tinha que poder ser reinterpretada por este mesmo real-ambiente. É, pois, no laboratório humano, geográfico e cultural dos diversos territórios onde reina ou compartilha o reinado com outras línguas que o português se molda e é moldado. Como não podia deixar de ser, em cada experiência laboratorial o produto da ou de análise tem a marca do seu próprio ambiente.
Tudo isso vem a propósito da tão propalada unidade e diversidade da língua portuguesa cujo «espaço aberto» só não é uma mentira se essa mesma «unidade» pressupuser a «diversidade». Para o nacionalismo doentio ou o purismo retrógrado, esses dois conceitos são inconciliáveis, ou seja, onde há a «diversidade», forçosamente fica quebrada a «unidade» linguística.
Ora, isso só aconteceria se a diversidade deixasse de ser uma particularidade para se converter numa essência.
Cremos que a capacidade da língua portuguesa aceitar a «diversidade» torna-a não só mais universal como ainda mais rica e mais maleável. Não temos dúvidas de que o espaço que pôde conquistar no mundo, em grande parte, é devido ao facto dela tolerar a diferença.Com efeito, ao aceitar a «diversidade», ela tornou-se mais livre, mais expressiva e, por conseguinte, mais aceite como algo que também pertence aos que a adoptaram. O facto ainda de Portugal não ser o único centro normativo faz com que o português ganhe uma certa riqueza plástica, o que aumenta a sua aceitação e legitimidade no espaço da CPLP como instrumento de comunicação e como património cultural comum.
A «diversidade», porém, tem os seus limites: ela não deve quebrar a unidade fundamental da língua. Segundo Paul Teyssier, «há dentro da diversidade um limiar que não deve ser ultrapassado: é o ponto além do qual a intercomunicação desaparece»[2].
Cremos poder dizer, sem risco de cairmos no erro, que a aceitação que a língua portuguesa hoje desfruta no Brasil, em África e na Ásia é sobretudo porque nela também podemos, em comunhão com outras expressões linguísticas, ouvir a «voz» das nossas respectivas pátrias, como diria o Prof. Brasileiro Celso Cunha e o Prof. Português Lindley Cintra.
Tanto nos países lusófonos, em África, como em Timor Leste, o português goza do estatuto de língua oficial não apenas por uma questão de pragmatismo político - traduzido na necessidade de comunicação com o exterior, na facilidade de ensino, como língua segunda, no acompanhamento da ciência e da tecnologia do mundo moderno -, mas também por uma questão de ordem cultural.
Amílcar Cabral costumava dizer que o que de melhor o colonialismo nos deixou é a sua língua. Esta, durante os vários séculos da sua história, em África,  no Brasil e na Ásia, formou e enformou uma grande parte da nossa cultura. Por isso, do ponto de vista cultural, consideramos que ela é também uma conquista nossa. Rejeitá-la é rejeitar uma parte da nossa cultura, do nosso humanismo.
Porém, que fique bem claro: afirmar uma língua como elemento cultural e como instrumento de cultura não significa abençoar toda a ideologia que num determinado momento ela veiculou ou pode veicular.
Se, nos espaços atrás referidos, o português goza do estatuto de língua oficial, é porque antes os países em referência foram capazes de o descolonizar política e culturalmente.
Assim, o português é língua oficial naqueles espaços da CPLP por ser aconselhável do ponto vista pragmático; por ser útil do ponto de visto tecnológico e científico; por ser uma conquista do ponto de vista cultural; por ser um instrumento de comunicação com o exterior e de intercomunicação com o mundo lusófono. Como espaço aberto, hoje ele sabe aceitar e interiorizar a diferença; por isso, também, hoje sentimo-nos honrados de fazer parte do seu universo.
Se a língua portuguesa é assim tão importante para o espaço da CPLP, na Europa, em África, na América Latina, na Ásia e nas diversas comunidades diasporizadas, vejamos alguns dos principais desafios que, através dela, a construção de uma identidade comunitária exige:

1. Desafio Cultural e de Diversidade Cultural

Hoje, sem pormos de lado a identidade local, somos convocados a valorizar a identidade global. O humanismo é formatado com as cores do arco-íris onde o local é valorizado e o global não é marginalizado. No espaço da CPLP, o português, como coluna vertebral da comunidade, tem que saber aceitar as diferenças, saber dialogar e conviver, pacífica e interessadamente, com as línguas e as culturas autóctones, com as línguas e as culturas da globalização, particularmente as das comunidades diasporizadas.
A diversidade linguística e cultural não deve ser apenas um slogan de campanha, mas uma vivência, um compromisso de todos os dias.
Para tal, há que haver políticas integradas de promoção e de valorização das letras, das artes e das tradições positivas, em todos os espaços da Comunidade.
Os cidadãos lusófonos têm que sentir a CPLP como uma entidade útil onde reina e vigora o espírito comunitário. Há que fazer da CPLP uma organização não apenas dos governos e dos políticos, mas também da sociedade civil. Para tal, há que promover o conhecimento mútuo, há que estimular esse mesmo conhecimento através da mobilidade social, empresarial e académica; há que promover exposições, seminários, feiras e prémios culturais, joint ventures win-win, em sectores económicos e sociais.
A CPLP deveria ser um mercado artístico, cultural e económico privilegiado. Os produtos da comunidade deveriam poder ter colocação em todas as áreas geográficas da comunidade. Uma sã competitividade cultural, artística e económica deveria ser promovida e acarinhada.
Há que ter em conta que se a CPLP não for uma comunidade útil aos cidadãos, de interesse para todos e a diversos níveis, por mais fortes que sejam os laços linguísticos, ela terá dificuldade em sobreviver. Cada sujeito comunitário é convocado a fazer o que deve e o que pode, de forma holística e com empatia, para poder assegurar a continuidade e a vitalidade da instituição. De outro modo, podemos estar a enganar-nos a nós mesmos.
Para a promoção do conhecimento mútuo, na Comunidade, seria desejável, por exemplo, a institucionalização do Grande Prémio Cultural da CPLP, financiado pelos nove países integrantes dessa instituição, na porpocionalidade do respectivo Produto Interno Bruto. A atribuição poderia ser bienal  e distinguiria, alternadamente, um artista ou criador do espaço da CPLP anfitrião de uma grande feira cultural dos países membros. A feira deveria coincidir com o encontro dos responsáveis das respectivas pastas da cultura e do turismo e seria organizada pelos Ministérios que respondem por essas áreas, no país anfitrião, sempre com a colaboração do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

2. Desafio Educacional e de Qualidade de Ensino

A educação ilumina a cultura e esta enforma a educação. Isto significa que não há desenvolvimento duradoiro e sustentável sem uma firme aposta numa educação exigente e de qualidade e numa cultura esclarecida, assente nas conquistas do local e do global e, ainda, aberta ao mundo e ao humanismo.
Ora, uma das línguas privilegiadas para a festa do humanismo, para o rendez-vous da diversidade cultural e para a construção de uma identidade comunitária na CPLP é o português.
É também essa mesma língua que, neste momento, constitui o suporte de grande parte da cultura cplpiana e o veículo privilegiado dos programas e dos conteúdos educacionais no espaço da Comunidade.
Admitindo e sufragando o que acabamos de dizer, impõe-se-nos, então, um magistério exigente e visionário da língua portuguesa que aceita e dialoga com a diversidade.
Hoje, constata-se alguma erosão no magistério do português, particularmente nos espaços da Comunidade onde ele não tem o estatuto de língua materna. Alguns pedagogos e vários concidadãos chegam, mesmo, a responsabilizar as respectivas línguas maternas pela erosão na assunção e na aprendizagem do português. Nada de mais errado. É um facto que a erosão existe; é um facto também que a assunção, pela juventude, parece estar a diminuir, em alguns espaçpos da CPLP, mas as causas de tudo isto não são, seguramente, as línguas maternas. O problema fundamental está na metodologia do ensino e na política linguística vigente. Não se pode estar a ensinar o português com metodologia de língua primeira, lá onde ele não tem o estatuto de língua materna. Não se pode estar a fomentar uma política de diglossia lá onde o português convive com línguas maternas, sobretudo as de forte expressão e representatividade identitárias.
O grande desafio, em termos de magistério e de política linguística, consiste em fomentar um verdadeiro bilinguismo onde o português e as línguas maternas são ensinados com estatuto adequado, com exigência e rigor inclusivos, numa perspectiva de complementaridade e nunca de exclusão das línguas maternas ou de sobrevalorização da língua portuguesa.
Já o escritor português Manuel Ferreira dizia:

          “Jamais alguém acolhe a humilhação, a opressão e muito menos a destruição  da sua   própria personalidade colectiva. E nenhuma força, por mais  repressiva ou violenta que seja,     logra impedir que os povos pautem as suas acções pela fidelidade ou busca da sua identidade           étnica e cultural» [3].

Na verdade, o português já faz parte da nossa história, mas as línguas maternas fazem parte da nossa identidade primeira e Ferreira tem razão quando diz que nenhuma força, por mais importante ou agressiva que seja logra impedir a fidelidade dos povos àquilo que eles têm no respectivo DNA, a sua identidade cultural.
Assim, um dos maiores desafios do magistério do português, na CPLP, consiste num ensino de rigor, inclusivo e dialogante, com metodologia adequada, isto é a de língua segunda, lá onde não tem estatuto de língua materna. Com esse magistério, facilmente os educandos tomam a consciência da geografia e da importância das línguas em presença, podendo assim o ensino processar-se, harmoniosamente: por um lado, sem diglossia, sem exclusão, sem concorrência desleal e, por outro lado, com disciplina, com rigor, com empatia e com a pilotagem da geografia e das normas de cada uma das línguas.

3. Desafio Tecnológico, Científico e Competitivo

O barómetro do desenvolvimento, hoje, está, em grande medida, no domínio que temos ou não temos das TIC (tecnologias de informação e de comunicação). Todos nós sabemos a razão por que o inglês se tornou, hoje, particularmente no seio da juventude, uma língua deveras atractiva. É sobretudo porque é a língua que melhor molda e veicula as ferramentas e a linguagem das TIC. É a língua ainda onde o conhecimento técnico e científico parecem estar muito bem representados. Entre as línguas estrangeiras com a maior empatia junto da juventude e com maior representatividade junto dos cientistas e investigadores, parece ser, também, o inglês.
Assim sendo, o desafio da língua portuguesa, nos domínios da ciência e da tecnologia não será, certamente, substituir o inglês. Isto seria, não só, uma política glotofágica anticientífica, como também seria inaceitável, face a empatia e o empoderamento que a língua inglesa conquistou.
O caminho está em promover uma sadia convivência, traduzida numa política de valorização e de instrumentalização da língua portuguesa, tornando-a uma língua não só da arte e da cultura, mas também, expressivamente, da ciência e da tecnologia.
Os professores, os linguistas, os cientistas, os investigadores, os técnicos, os escritores, os artistas e criadores do espaço da CPLP têm que dar uma atenção redobrada à língua portuguesa, como instrumento de comunicação, de trabalho e de criação, nos palcos e nos diversos laboratórios onde actuam.
Se a CPLP têm um mercado de mais de 200 milhões de utilizadores, em nove países, em quatro continentes e nas diversas comunidades diasporizadas, temos que poder demonstrar ao mundo que somos uma força linguística que não se pode ignorar. Porém, o prestígio e o peso cultural, técnico e científico da língua portuguesa nunca será uma dádiva ou uma prenda. É com o nosso reconhecimento, o nosso trabalho, a nossa investigação, a nossa criação, o nosso magistério e a nossa empatia que fazemos da língua portuguesa uma ferramenta útil, nacional e transnacional, com alto grau de empatia e de procura, no nosso chão, mas também no chão da globalização.
É preciso não se esquecer que, segundo Carlos Maciel:

          «... a lusofonia é o quinto espaço planetário em termos demográficos...; a língua portuguesa         é a terceira língua    europeia  mais falada no mundo...; o território lusófono é também o        quinto maior do mundo ...; o português é uma das três línguas  verdadeiramente presentes em            três continentes pelo menos [hoje sabemos que já são quatro continentes]) ... é a língua mais           falada na América do Sul e, ... economicamente, o grupo lusófono ocupa a sétima posição      mundial»[4].

Estudos rcentes confirmam que na internet o português  ocupa o quinto lugar (citar).
Não há dúvida de que tudo isto é uma força social, cultural, e económica muito grande. Há que fazer dessa força um empoderamento, não só na cultura, mas também na ciência e nas tecnologias. Para tal, os investimentos para as áreas culturais, técnicas e científicas dos nossos respectivos países têm que merecer uma maior e melhor atenção dos decisores políticos, das instâncias económicas e das instituições académicas.

4. Desafio Diplomático

A diplomacia consiste na defesa e promoção dos interesses dos países, dos povos e das comunidades que ela representa, na cena internacional. Um desses interesses é o da língua que molda a identidade da comunidade a que pertencemos. A diplomacia, particularmente a dos sectores multilaterais, tem que poder convencer os parceiros da importância do português como língua de trabalho. Se nós fazemos o esforço para aprender e para utilizar a língua dos outros, porquê que esses outros, também, não fazem o mesmo esforço para utilizar e entender a língua presente em quatro continentes, com mais de duzentos milhões de utilizadores?
Já assisti, num colóquio internacional, realizado num dos países da CPLP, um alto responsável internacional, natural do espaço da CPLP, a conduzir os trabalhos em inglês, num painel onde a maioria esmagadora dos participantes era oriunda do espaço da CPLP.
Como levar os outros a acreditarem na força e na importância do português se nós mesmos não acreditamos nessa importância, por uma questão de snobismo, de bazófia ou de complexo?
A diplomacia não é para mobilizar apenas os investimentos ou proteger e defender os interesses e os direitos dos nacionais em terras estrangeiras. Ela deve também poder promover a cultura, a ciência e a tecnologia, num diálogo salutar, na língua da nação que representa e na da nação de acolhimento.
Tratando-se de representação, em instâncias multilaterais, onde o peso da CPLP é evidente, deve-se lutar para que ele seja uma das línguas de trabalho dessas instituições, e deve haver a preocupação de utilizar o português mesmo quando o interveniente tem o conhecimento de outras línguas da globalização. Há que reforçar não só o rigor do seu ensino, mas também a formação de tradutores e de intérpretes. Querendo nós que o português seja, ele também, língua da globalização, temos que pagar o justo preço.
Para concluir este ponto, há um facto que merece a reflexão de todos: porque será que, recentemente, vários países[5], de cultura não lusófona, têm solicitado a sua entrada na CPLP, enquanto no seio do espaço genuino da Comunidade há cada vez mais erosão de interesse para com a CPLP ? Deixo essa interrogação para reflexão.

5. Desafios da Unidade de Ferramentas de Expressão e Comunicação: O Caso do Acordo Ortográfico

Não é salutar, nem prático, ter uma mesma língua com ferramentas diferentes de comunicação e de expressão. A mesma língua veicular e identitária da CPLP não pode ter uma escrita substancialmente diferente. Se é certo que não se pode exigir a uniformização cabal da escrita, devido à especificidade cultural e linguística dos diversos espaços da comunidade, pode-se, no entanto, procurar a sua superior unidade.
A Unidade que se preconiza para o português e para a escrita em português, segundo o Prof. brasileiro Celso Cunha, é a mesma que o escritor Jorge Luís Borges defendia para a língua espanhola, nos seguintes termos:
        «Que existem diferenças e que as consideramos mesmo desejáveis, mas que  sejam elas a um tempo discretas e nítidas. Discretas para não impedirem a    circulação total do idioma, e suficientemente nítidas para que  cada um de  nós nelas ouça a voz da sua pátria[6].

Creio que é essa superior unidade que preconiza o Acordo Ortográfico de 1990. É normal as resistências que ainda persistem, já que toda a mudança gera resistência. Porém, se queremos, efectivamente, empoderar o português, como língua da globalização e da expressão da identidade comunitária no seio da CPLP, temos que lutar para a superior unidade das suas ferramentas de expressão e comunicação. Não temos dúvidas que o que move o actual Acordo Ortográfico é essa superior unidade de ferramentas para a escrita.
Aliás, analisando friamente as mudanças propostas, vemos que elas são pouco expressivas, no dizer do linguista português, Malaca Casteleiro[7]. Segundo ele, as alterações introduzidas na escrita brasileira são de 0,5 e na escrita do português luso-africano é de cerca de 1,5%. Há que ter em conta que num universo 110.000 palavras, apenas 2.000 sofrem alterações, conclui esse linguista.
Se, assim é, temos que concluir que defender o Acordo Ortográfico é defender a superior unidade da língua portuguesa, é defender a coesão de uma identidade comunitária coesa. É defender ainda uma maior internacionalização do português.

Seria um absurdo, por exemplo, exigir aos estrangeiros, às instâncias internacionais ou às universidades estrangeiras a aprendizagem de modelos diferentes de escrita para uma mesma língua. Isto não favorecia, em nada, a valorização e a internacionalização do português que todos desejamos.

6. Desafio de Cidadania e de Mobilidade Social


 Na minha perspectiva, esta é, talvez, o desafio mais complexo da CPLP, se quisermos que ela seja, efectivamente, a expressão de uma comunidade identitária.
Como falar de uma comunidade identitária se ainda não podemos ser cidadãos plenos dessa mesma comunidade? Como falar de comunidade identitária se precisamos de vistos para podermos circular no espaço que dizemos ser comunitário? Como falar de uma comunidade identitária se cidadãos de espaços geográficos diferentes na CPLP não podem usufruir das mesmas regalias sociais dos cidadãos nativos em cada um dos países da Comunidade?
Há que ser coerente e consequente: não podendo haver, por alguma razão, cidadania efectiva, então, há que repensar a identidade da comunidade. Não é salutar ter uma instituição que preconiza construir uma identidade comunitária apenas com declarações de intenção. Ou somos cidadãos da e na CPLP, com todas as consequências que daí advêm, ou, então devemos deixar cair o espírito de identidade comunitária na CPLP. Não é salutar continuarmos a enganar-nos a nós próprios e ao mundo.
Quem é académico, como eu, sem compromissos diplomáticos, políticos ou de estratégia política, tem a liberdade de ver e dizer as coisas como elas são. Os que criaram a CPLP têm que criar, também, as condições para a Comunidade funcionar ou então há que rever a identidade da Comunidade e o espírito que presidiu à sua criação.
A todos, muito obrigado.

                                                                  Sorbonne, 5 de Maio de 2015
                                                                            



[1] Paul TEYSSIER, Actas do Congresso sobre a Situação Actual da Língua Portuguesa no Mundo, Lisboa, 1985,     p.46. O Congresso realizou-se na Universidade de Lisboa de 28 a 3 de Julho de 1983

[2] Idem 1  - Ibidem, 49


[3] Manuel FERREIRA , «Contextualização da Língua Portuguesa» in O Discurso no Percurso Africano, Plátano Editora, Lisboa   1989, p.311.

[4] Carlos MACIEL, « Português, Língua Estrangeira,  Considerações sobre a Construção da Nossa Imagem por Nós e pelos Outros», in Homenagem a Eduardo Lourenço - Colectânea de Estudos, ICALLP,1992, p.62.

[5] Senegal, África do Sul, Japão, Guiné Equatorial ...
[6] Celso CUNHA  - Ibidem, p.72
[7] Cf. CASTELEIRO João Malaca, CORREIA Pedro Dinis, 2007, 2008, Atual O Novo Acordo Ortográfico – O que vai mudar na grafia do português,  Lisboa, Texto Editora

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A HORA GRANDE


O 5 de Julho de 1975 foi o GRANDE DIA para o Povo de Cabo Verde. Nesse dia, a Nação Cabo Verdiana, de jure, começou a existir. Em todos os cantos das ilhas ecoou o HINO da LIBERDADE e da DIGNIDADE, um legado-memória de Cabral:
“Sol, suor e o verde e o mar.// Séculos de dor e esperança;/ Esta é a terra dos nossos avós!// Fruto das nossas mãos,/ Da flor do nosso sangue;/ Esta é a nossa Pátria amada.// Viva a pátria gloriosa// Floriu nos céus a bandeira da luta.// Avante contra o jugo estrangeiro!// Nós vamos construir/ Na pátria imortal/ A paz e o progresso”.
E o artista Paulo de Carvalho nos lembra que “Os meninos à volta da fogueira/Vão aprender coisas de sonho e de verdade/Vão aprender como se ganha uma bandeira/Vão saber o que custou a liberdade”.
Hoje, é o poeta A. Spencer Lopes quem nos exorta: “Canta, irmão/Canta, meu irmão/ Que a liberdade é hino/ E o homem a certeza”.
Sim, a certeza que a dignidade e a liberdade conquistadas, a preço de sangue, são irreversíveis; a certeza de que o modernismo, a mudança e a inovação são bem-vindos, mas sem comprometerem nenhumas das conquistas já alcançadas; a certeza de o “querer partir e ter que ficar ou o querer ficar e ter que partir” já não são uma fatalidade, porque hoje “conhecemos a razão das coisas” e sabemos que temos “outra terra dentro da nossa terra”; a certeza, ainda, de que tanto a nossa dignidade, como a nossa terra não serão vendidas ou hipotecadas; a certeza de que o desenvolvimento não vai excluir ninguém e a segurança passará a ser um bem de primeira grandeza.
O 5 de Julho custou muito caro e “há que aprender como se ganha uma bandeira e o que custou a liberdade”.

domingo, 10 de junho de 2018

Carta a Abel Djassi no Facebook

Caro Abel Djassi,
Há dias, vi no Púlpito um questionamento seu, a propósito da elaboração da História-Geral de Cabo Verde, por um equipa binacional (Cabo Verde e Portugal).
O post desapareceu e não pude comentá-lo. Como sabe, eu estive na origem desse projecto, como se pode verificar na Nota Prévia do I Volume. Foi uma estratégia positiva a ideia da equipa mista. Na altura, seria difícil o acesso aos arquivos portugueses, estando os portugueses de fora. Essa estratégia permitiu a publicação dos três volumes, mas também de dois volumes de Corpus Documentais existentes nos arquivos portugueses. Existem outras fontes, como o Abel Djassi faz referência. Isto não invalida o trabalho feito e que pode ser criticado, enriquecido ou mesmo contrariado por outras fontes e por outros autores.
O processo que conduziu à elaboração da Historia-Geral de Cabo Verde tem uma história. Um dia essa história será contada. Basta dizer que o projecto esteve sobre o fio da navalha. O mesmo foi ao Conselho de Ministros porque havia nacionalismos exacerbados que entendiam que a história de Cabo Verde só deveria ser escrita por caboverdianos e havia uma outra posição, na qual eu me incluo, que entendia que a história de Cabo Verde podia ser escrita por qualquer equipa de historiadores sérios e competentes.
No Conselho de Ministros acima referido, o então Primeiro-Ministro, Pedro Pires teria afirmado que (cito de cor): "ou esperamos cinquenta anos e reunimos todas as condições para a elaboração da história de Cabo Verde, ou então corremos o risco e iniciamos o processo com uma equipa binacional". O então Presidente da República, Aristides Pereira, tomou a palavra e disse: "então corremos o risco e começamos desde agora".
Gostaria di dizer obrigadao a Pedro Pires e a Aristides Pereira pela lucidez e pela coragem, numa altura em que o nacionalismo estava ao rubro.
Eu parabenizo, também, a equipa binacional pelo trabalho feito. Nada é perfeito. Quem pode fazer melhor, nas actuais circunstâncias, terá já o contributo dessa equipa. Na história, nada é definitivo, e creio também que nada é perfeito.
'Penso ser melhor fazer e corrigir depois do que não fazer nada.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Amílcar Cabral e as Crianças:

 
Cabral tinha um pendor humanista muito grande para com as crianças. No seu magistério, ele declara:
“… as crianças são os únicos seres a quem temos que dar privilégios na nossa terra, … são a flor da nossa vida, por causa delas nós fazemos todos os sacrifícios para elas viverem felizes” (Unida e Luta 1:196).
Numa outra ocasião, afirma:
“Neste momento em que falo (1969), em algumas terras da África há crianças que são mortas para satisfazer a vontade do ‘iran’. Eu nunca tive isso na minha cabeça. Cresci em África, mas aprendi o seguinte: o mais maravilhoso e o mais delicado que há no mundo são as crianças. Às crianças devemos dar o melhor que temos. Devemos educá-las para se levantarem com o espírito aberto, entenderem as coisas, serem boas, evitarem toda a espécie de maldade. Portanto, nunca devemos fazer-lhes mal algum …” (Pensar para Melhor Agir:188).
Durante o processo da Luta Armada, conduzida pelo PAIGC, em consonância com o princípio segundo o qual “as crianças são flores da revolução”, foi criada uma estrutura pedagógica – a Escola Piloto –, o viveiro para a formação dos homens e mulheres de amanhã. Nessa Escola, Cabral mais do que um pedagogo era considerado um pai pelos meninos e meninas que a frequentavam.
Viva o Dia Internacional das Crianças.