quarta-feira, 24 de agosto de 2022

 

O VOTO DA ESPERANÇA, EM ANGOLA

 

Não sei porquê, mas sinto que tenho uma grande simpatia por Angola e pelos angolanos. Talvez porque conheço a história de Agostinho Neto que viveu algum tempo em Cabo Verde  e, com o seu trabalho  e dedicação, conquistou o coração dos caboverianos. Talvez porque o MPLA e o PAIGC resistiram ao colonialismo e lutaram pela Independência e pela conquista de dignidade dos respetivos povos. Talvez porque tanto a Angola de Agostinho Neto e a de José Eduardo dos Santos, em momentos em que Cabo Verde enfrentava grandes dificuldades estenderam a mão ao nosso povo, sem exigir nada de volta.

Ora, se tenho simpatia pelo MPLA, devo dizer que a UNITA, pela sua história de luta e de resistência merece, ela também, ter oportunidade para governar Angola, sendo certo que a alternância política é sempre saudável para a democracia..

Hoje, 24 de Agosto de 2022, é um dia decisivo para Angola. Quem os angolanos escolherem, na liberdade e na transparência, terá todas condições para fazer da sua pátria uma terra desenvolvida, próspera e democrática.

Angola tem o que Cabo Verde não tem: grandes recursos naturais. Angola tem todas as condições para o seu desenvolvimento ombrear com o de outros grandes países no mundo. Basta que o PODER, legitimado nas urnas, saiba, com justiça, com ética, com criatividade e empreendedorismos tirar proveito dos recursos que a Natureza pôs à sua disposição.

Eu gostaria de ver a Angola uma referência nos PALOP’S, na CPLP, em África e no mundo.

Ontem, no noticiário, ouvi que Luando é das cidades no mundo em que o custo de vida é dos mais elevados e que é lá, também, que muita gente vive com menos de dois euros por dia. Espero que quem ganhe as eleições reflita sobre esta triste situação e faça tudo para que a esperança do povo angola não seja, mais uma vez, frustrada.

Não deixa de ser preocupante, e frustrante mesmo, ver um país que nada em recursos naturais, com mais de quatro décadas de Independência, ter que consentir que um dos seus ex-presidentes, enfermo, ter que viajar para Barcelona, em busca de cuidados de saúde que deveriam existir no seu próprio país.

Espero que quem ganhe as eleições faça de Angola uma trra de prosperidade para o seu povo e um exemplo de como os recursos naturais podem ser bem geridos, com ética, com transparência, com justiça, com equidade e com solidariedade.

 

VIVA ANGOLA, VIVA A DEMOCRACIA,

HONRA E GLÓRIA À MEMÓRIA DE AGOSTINHO NETO

 

UM SEGREDO AO ALCANCE DE TODOS

 

Aprendi este segredo com a minha já longa experiência de vida, com a educação recebida na família, na escola e no meu próprio lar; com a minha esposa, filhos, netos e noras; com amigos e adversários; com as várias leituras que fiz e as diversas viagens que realizei; com situações e desempenhos que me fizeram feliz, e com os contratempos que blindaram e qualificaram a minha resiliência.

Trata-se do segredo de saber lidar com as emoções e de saber enfrentar a ansiedade e o “stress”.

Houve tempo em que se falava muito do QI (quociente intelectual). Hoje, o que está na ordem do dia, é o QE (quociente emocional), que é a gestão correta das nossas próprias emoções. Ser inteligente, equilibrado e feliz depende mais do QE do que do QI.

Acontece que um alto nível de QE é um segredo que uns conseguem descobrir a tempo de dele irar proveito, mas que outros têm dificuldade de experimentar o seu tempero na hora que dele mais precisam.

Agradeço à sabedoria do UNIVERSO que me fez descobrir o segredo do QE. E quem o possui sabe amar a si próprio e ao seu próximo com um amor incondicional; sabe solidarizar-se e respeitar o outro, mesmo quando dele discorda; sabe os segredos de um lar feliz e da realização no trabalho; sabe ser justo, evitando julgamentos precipitados e sem fundamento; sabe respeitar as leis, os bons costumes e as autoridades; sabe o quanto vale uma cidadania ativa, empreendedora e solidária; sabe e pratica o estado de direito democrático, pratica e respeita a justiça e a liberdade, no lar, no trabalho e na vida.

Todo este segredo levei tempo a descobrir. Porém, sei que nunca é tarde para aprender tudo o que na vida seja positivo.

É com imenso prazer que partilho com os meus amigas e amigas das redes sociais este fabuloso segredo que fez de mim, hoje, um ser diferente. Sei que, para alguns, este segredo já é uma vivência. Para os que ele é, ainda, um projeto longínquo, podem acreditar que quem o possui antecipa o paraíso terrestre e estará blindado contra as agruras da existência.

 Agosto de 2022

 

 

sábado, 20 de agosto de 2022

 

DIVRSIDADE LINGUÍSTICA EM CABO VERDE:
UM PATRIMÓNIO A PRESERVAR, UM BEM A VALORIZAR

 

Em Cabo Verde, o crioulo atualiza-se, de Norte a Sul, em arco-íris, cada realização regional com a beleza da sua cor e a particularidade da sua expressão; a especificidade da sua fonética, morfologia e sintaxe; a riqueza do seu léxico, estilística e expressão idiomática.

Urge que essa riqueza linguística seja legalmente reconhecida, social e politicamente valorizada, através da prática quotidiana na comunicação formal e informal, no ensino, na investigação e em ações de defesa e preservação. Ora, isto, em linguagem jurídica, tem o nome de oficialização.

Sendo o crioulo a nossa língua materna, é, por direito próprio, a nossa língua oficial. Porém, a nossa CONTITUIÇÃO, no seu artigo 9º.2, determina que Estado deve promover “… as condições para a oficialização da língua materna caboverdiana, em paridade com a língua portuguesa”.

Essas condições passam pelo seu uso alargado na comunicação formal e informal, no ensino, na investigação, na produção artística e literária …

Ora, tudo isto tem custo, e tem custo porque se trata de algo de capital importância.

Infelizmente, há alguns desinformados ou mal-intencionados que consideram um desperdício a legalização da necessidade de se procurar o alcançar do estatuto paritário entre as nossas duas línguas da República.

Outros ainda temem que esse estatuto venha a favorecer apenas a expressão de Santiago que, neste momento, está num nível de desenvolvimento científico e literário mais expressivo.

Devo esclarecer dizendo que a oficialização (paritária) vai permitir, como tem sido até agora, o uso de todas as variantes, mas também a investigação sobre a diversidade linguística; o ensino básico da respetiva variante, em cada ilha; da variedade regional de Santiago, a nível do Sul; da variedade de S. Vicente, a nível do Norte.

Pedagogicamente, na respetiva ilha, o ensino parte da variante local e faz-se a ponte com a respetiva variedade regional. Essa metodologia leva o aluno a dominar o funcionamento da sua própria variante e o funcionamento da variedade regional que também faz parte, frequentemente, do seu quotidiano.

A padronização, sendo um processo, fica reforçada não só com esta metodologia de ensino, mas também com a política de incentivos à investigação e à criatividade literária, em todas as variantes e variedades.

Ora, se o crioulo, como língua materna é importante, há que pagar o preço da sua preservação e valorização. Defender o contrário só pode ser por ignorância, complexo ou alienação. E quem lutou pela Independência, pela construção do Estado de Direito e pelos valores da cidadania, não pode, e nem deve ter atitudes que vão contra a defesa e valorização de um dos elementos mais significativos da sua própria identidade: A LÍNGUA MATERNA.

Agosto de 2022



quarta-feira, 17 de agosto de 2022

O MEU SOL, HOJE, BRILHA COM MAIOR INTENSIDADE

 

Sempre fui uma pessoa otimista, atenta ao valor da paz e da serenidade do espírito. Porém, faltava-me saber lidar, convenientemente, com as agruras da vida.

Hoje, aprendi que o BEM e o MAL são irmãos inseparáveis e fazem parte da nossa história, indpedentemente da nossa vontade. Onde o primeiro floresce o segundo tende a crescer. A sabedoria consiste em cultivar a semente do BEM sem hostilizar a perversidade do MAL. Nada de embelezar ou de acarinhar o MAL. Sempre há que saber registar e ter presente a sua existência, mas investindo permanentemente na sementeira do BEM.

 

A natureza quis e quer que os dois coexistam. Porém, essa mesma natureza deixa-nos o livre arbítrio de saber escolher a melhor forma de conviver com essas duas inseparáveis realidades.

 

Infelizmente, é particularmente na curva da existência ou no seguimento de uma adversidade inesperada que descobrimos que o melhor caminho não é declarar guerra aberta entre os dois mundos, mas saber cultivar o BEM sem hostilizar o MAL.

 

Foi na sequência de um problema de saúde que descobri que, afinal, não posso eliminar o MAL da minha vida. Ele existe e o melhor que posso fazer é registar essa existência, mas apostando sempre na busca permanente do BEM. E a busca permanente do BEM consiste em valorizar as pequenas coisas, em fazer depender a minha felicidade particularmente do meu equilíbrio interior, em não sonhar com o impossível, em estar atento a todo o BEM que respira e circula à minha volta, seja ele um céu estrelado, um sorriso de uma criança, o desabrochar de uma flor, a serenidade de um sono reparador, o marulhar do mar, o canto de um passarinho, a cultura de mais conhecimento e solidariedade, a prosperidade em bens espirituais, sem menosprezar os bens materiais.

Por esta nova filosofia de vida quero ser grato e reconhecido à NATUREZA que me fez compreender que tudo o que existe tem a sua razão de ser, que mesmo as agruras da vida podem ser um caminho fértil para se aproximar do Paraíso, aqui na Terra e, talvez mesmo, no Além.

 

!7 de Agosto de 2022

Manuel Velga

segunda-feira, 7 de março de 2022

O MANDAMENTO DA VIDA

 

Não Matarás (Exodo20:13)

 

A vida é um dom divino, a maior bênção que a natureza concedeu à Humanidade. Ninguém tem o direito de ir contra o mandamento da vida que ordena: “não matarás”.

Desde o berço, na escola da família, aprendi o valor desse mandamento. Mais tarde, o Seminário reforçou em mim o valor desse mandamento. A experiência de vida sempre me ensinou que a VIDA é o Bem Maior, que respeitar a do outros é condição para eu viver em paz.

O que a escola da vida me ensinou, e aprendi com distinção, está sendo posto em causa, em algumas partes do mundo, particularmente na UCRÂNIA, com a invasão russa de 24 de Fevereiro.

É caso para perguntar:  O Presidente Putim não recebeu o magistério do HUMANISMO na família, na escola de vida e nas curvas da política? Será que ele não tem nem razão, nem sentimento, nem coração? Será que tem capacidade de amar, de respeitar e de solidarizar-se com quem quer que seja, mesmo ratando-se da sua família, do seu povo, para não dizer a Humanidade? Se a resposta for negativa é caso para dizer que o seu próprio inferno já atingiu a expressão máxima.

Diante desse inferno que criou na Ucrânia, será capaz de dormir tranquilamente como se nada tivesse acontecido? Aquele seu ar fúnebre, frio e sereno, diante das câmaras, não será fingido?

Qualquer que seja as suas razões, haveria sempre outros mecanismos para a resolução de conflitos, que não o de matar, o de transformar uma nação inteira numa fogueira de destruição (da vida e de equipamentos sociais).

E quem vai repara essa desinteligência belicista, e com que meios?

Eu que sou sempre grato ao povo russo (ele também vítima da desinteligência do seu Presidente) pelo apoio que deu à luta de libertação nacional e pelo grande número de bolsas de estudo a favor da juventude africana, em geral, e cabo-verdiana, em particular, não posso deixar de condenar, vivamente, a invasão da Ucrânia, e solidarizar-me com a bravura dos militares ucranianos, com a luta dos que se encontram nos abrigos a fugir das bombas, bem como com a resiliência de quantos procuram a paz em outros países, ou enfrentam a guerra com sentido patriótico.

Devo felicitar a solidariedade europeia que abriu as suas fronteiras a todos os refugiados da guerra. 

Do governo da Rússia espero que, depois de descobrir a razão da sua desinteligência, ponha à disposição dos ucranianos os meios necessários para a reconstrução do país.

Do mundo inteiro que sofreu  e sofre com a aberração dessa guerra espero que, em nome do humanismo, perdoe a irracionalidade do Presidente russo, já que no tribunal da sua própria consciência a reparação, seguramente, terá lugar. É que a Natureza é Justa, és Sábia, é Educadora.

A todos desejo uma santa PAZ, nesta QUARESMA DA REISSUREIÇÃO.

Praia, 7/03/2022

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

POVU UNIDU, COVID VENSIDU

 


Nanprésta, dizaforadu

Sai di kaminhu, dexa-nu passa

Nu ka debe-u, nu ka koléga

Kai na mar, mata kabésa

Dexa-nu kétu, nu ka merese es frónta

Bu atxégu dja da-nu na tésta.

 

Unidu, nu ta nfrenta-u

Disididu, nu ta vense-u

Ka bu insisti, bu ka ten razon

Dja nu nfêlia, nu ka kulpadu

Bo ki ben, rabida bu bai

É konsedju, é ka konvérsa fiadu

Bu ndjutu-nu, bu ten ki kai

Ka-u púrfia txeu, disinti bu ben.

 

Nha povu, nha armun:

Nu fika na kaza, nu laba mon

Nu obi autoridadis, ka nu ralaxa

Nu luta, ka nu dizanima

Na Xina, COVID dja rende

Na Orópa ku Mérka sa-ta lutadu

Na Áfrika, konsiénsa sa-ta labanta

Ka nu brinka, es kusa é gravi

Ken ki «kansa, ta alkansa».

 

Nu djunta, nu da-l konbáti

Si el ka móre, el ta fika olejadu

Dixanxabidu, na getu-l bai

Korenténa ka tudu ténpu

Stadu di emerjénsia ten pa kai

Nu al vense, nu ta vense

 Trabadju txeu sa-ta spera-nu

Ku más justisa, más inkluzon

Ku más étika, más idukason

Ku más umanismu y solidariedadi

Ku más ruspetu, más dignidadi.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

PRÓPI SÁBI

 

Un bóka-l tardi própi sábi.

Kontise ónti, na kanbar di sol, un tradi kultural ku sbor di mel. Foi lansamentu di albun «ALMA», un konjuntu di puémas muzikadu di puéta-Prizidenti, JMN.

Na es tardi, N da kónta ma kazamentu di matrizis afrikanu y luzitanu di nos língua pari un mininu di oru predistinadu pa kanta mórna y pa skulpi poezia. Es mininu di oru é KRIOLU. Fórti dja bu grandi, fórti bo é dóxi, ó Língua di nha povu!

JMN, ku pirspikásia, ku sabedoria y sentimentu el skulpi, na Kriolu, puémas-konpozison ki dexa artistas muzikal babadu y adimiradu. ALMA é un infanti jeradu pa puéta JMN, batizadu pa artistas muzikal y plástiku, adimiradu pa tudu kenha ki toma parti na tardi kultural di ónti, rabésba di Nhu S. Valntin. 

Nhos obi un trexu di es albun-alma, na puéma IDENTIDADI :

Kantu lumi rabenta / Na koxa di mar brabu / Santiagu labanta riba di agu / E bira ilha //

Kantu mundu di tudu mundu txiga / Simenti transa / Ómis ku mudjeris nasi / Na txon di ilha //

Mi é di li / Fidju di don di agu / Mi é di li  / Na es txon ki nasi riba mar / Pa nu podi skrebe un otu stória / Di paz y amizadi / Ku algen di tudu kor / Pamodi li tudu algen é algen”.

 

É un puéma-jénizi di nos kriolidadi, un kriolidadi abértu pa mundu, mas ku pé finkadu na txon di nos téra, undi ten  “algen di tudu kor / Pamodi tudu algen é algen”. Di es puéma ta imerje UMANISMU Y SOLIDARIEDADI PLANETÁRIU di nos KRIOLIDADI, un kriolidadi ki prende “rolá na mapa” di “téra-lonji” y di nos rinkon-natal, na rítimu di MÓRNA, na kalor di funaná, na amargura y na dosura di SODADADI. É pur isu ki ns identidadi é un “arku-da-bedja” (“arco-íris”)  di tudu kor y ku tudu amor.